quarta-feira, 14 de novembro de 2018

EBE16

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12. OS ESPÍRITOS

PROGRAMA DA AULA
              Esta aula aborda a origem, natureza e destino dos Espíritos — os seres inteligentes da criação.
              Vamos saber também sobre a veracidade ou não da teoria dos anjos e demônios.
              E mais: a forma espiritual e o perispírito — o corpo semimaterial que envolve o Espírito.

OS SERES INTELIGENTES DA CRIAÇÃO
              Além do elemento matéria que dá forma física aos mundos, Deus — o ser supremo do Universo — criou os seres inteligentes, ou seja, nós, seus filhos, que convencionamos chamar de Espíritos.
              De fato, qual é a nossa origem? Assim perguntou Allan Kardec e assim lhe responderam:
              Os Espíritos tiveram princípio, ou, como Deus, existem desde toda a eternidade?
              “Se não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, quando ao invés, são criação Sua e se acham submetidos à Sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, é incontestável, porém, quanto ao modo como nos criou e em que momento, nada sabemos. Podem dizer que não tivemos princípio, se quiserem com isso significar que, sendo eterno, Deus há de ter sempre criado ininterruptamente. Mas, quando e como cada um de nós foi feito, repito, ninguém sabe: aí é que está o mistério”.
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec – Questão 78

              Portanto, ainda não podemos compreender muito bem a nossa origem, nem a idade espiritual de cada um de nós. Mas fica evidente que a nossa identidade e forma primordial é do mundo espiritual, sendo que quem somos aqui na Terra é apenas uma condição temporária. Morrendo a forma humana, a alma volta para a sua verdadeira identidade espiritual.

FRATERNIDADE ESPIRITUAL
              A Doutrina Espírita nos diz que Deus cria os Espíritos nas mesmas condições. Quer dizer que todos os indivíduos pertencem a uma mesma classe, sem privilégio para nenhum indivíduo.
              Noutras palavras, eu, você, Jesus, Maria, José e todas as pessoas somos filhos de Deus e, para Ele, cada um de nós tem o mesmo valor.
              Fomos todos criados com total inocência, mas com todas as capacidades para desenvolvermos todas as virtudes e conhecimentos, o que se dá ao longo do aprendizado adquirido com as nossas vivências.
              Isso significa que, ao nos criar, Deus colocou em cada um de nós, na mesma quantidade, todas as capacidades intelectuais e morais, além de nos proporcionar a vida, em seus diversos estágios — no mundo espiritual ou nas dimensões reencarnatórias —, a fim de que possamos evoluir, cabendo a cada qual se esforçar para adiantar o seu aprendizado.
              O fato de existir Espíritos mais elevados — em virtudes e em sabedoria — está na razão de que estes já tiveram muito mais vivências do que os outros ou que tenham se esforçado muito mais para adiantarem sua evolução espiritual.
              A inteligência, os talentos artísticos, o caráter e todos os atributos que algumas pessoas trazem consigo são aquisições pessoais que elas conquistaram; não são privilégios concedidos por Deus, porque isso seria uma injustiça.
              Isso quer significa que todos nós temos as mesmas potencialidades e que podemos — e vamos — alcançar a mesma elevação dos Espíritos superiores. E isto se dará tanto mais rápido quanto nos esforçarmos para adquirir os valores espirituais.

ANJOS E DEMÔNIOS
              Existem muitas crenças acerca da existência de outras categorias de seres inteligentes. O Catolicismo, por exemplo, prega que antes do nascimento da Humanidade, Deus teria criado os seres angelicais. Segundo essa doutrina, os anjos formam uma categoria especial, criados já adultos e perfeitos, para servirem ao Criador. Portanto, os anjos seriam de uma natureza diferente e superiora à nossa.
              O curioso desse sistema é que desses seres "perfeitos" alguns se rebelaram contra o Pai celestial e teriam sido transformados em demônios — originando assim uma nova categoria de seres. Essa doutrina então sustenta que anjos e demônios travam uma guerra espiritual do bem contra o mal, cada qual querendo arrastar a humanidade para o seu lado.
              O Espiritismo vê nessa teoria apenas uma metáfora da nossa própria batalha consciencial, em que somos convidados à elevação espiritual ao mesmo tempo em que somos tentados aos prazeres da vida material. Dessa maneira, não há lógica em supormos que Deus possa ter criados seres privilegiados com aquela suposta perfeição — aliás, uma perfeição muito imperfeita, já que anjos pudessem ser rebaixados a demônios.
              No sentido figura, podemos dizer mesmo que há Espíritos que são como anjos para nós, uma vez que se esforçam em nos ajudar no nosso curso evolutivo. Por outro lado, há Espíritos ainda tão imperfeitos, que perseguem e atentam contra outros que, por metáfora, bem poderiam ser chamados de demônios.
              Com efeito, a nossa doutrina nos assinala que a espiritualidade sempre nos reserva um amigo protetor invisível — que normalmente chamam de anjo da guarda.
              Quaisquer que sejam a inferioridade e perversidade dos Espíritos, Deus jamais os abandona. Todos têm seu anjo de guarda (guia) que por eles vela, na persuasão de suscitar-lhes bons pensamentos, desejos de progredir e, bem assim, de pastorear-lhes os movimentos da alma, com o que se esforçam por reparar em uma nova existência o mal que praticaram. Contudo, essa interferência do guia faz-se quase sempre ocultamente e de modo a não haver pressão, pois que o Espírito deve progredir por impulso da própria vontade, nunca por qualquer sujeição.
O Céu e o Inferno, Allan Kardec – Parte Primeira, Cap. VII “Código penal da vida futura”

              Nesse sentido simbólico, já aqui na Terra, cada um de nós pode ser um anjo ou um demônio em relação às pessoas que nos cercam.

FORMA ESPIRITUAL
              Nas pinturas clássicas, os anjos são retratados normalmente como jovens robustos, bonitos, com asas e algumas vezes armados de espadas. Nem precisamos comentar sobre como os demônios são pintados. Daí, será natural que se pergunte: os Espíritos têm forma física? Eles têm mãos, olhos, cabelos etc.? Ou será que eles são imateriais? Veja o que os guias de Kardec lhe disseram:
              “Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente? Por acaso, um cego de nascença pode definir a luz? Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois devem compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem semelhança com o que vocês conhecem, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos seus sentidos.”
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec – Questão 82

              Para não deixar a resposta muito vaga, os mentores da codificação espírita compararam a forma do Espírito com uma chama avermelhada, mais ou menos luminosa, conforme sua elevação espiritual.

O PERISPÍRITO
              Você pode estar se perguntando também: se os Espíritos são como um facho de luz, por que os médiuns algumas vezes dizem ver os desencarnados com braços, mãos, ou seja, com um corpo semelhante a de um ser humano encarnado?
              A resposta está no perispírito. Allan Kardec deu o nome de perispírito ao corpo espiritual que envolve o Espírito. Então, esse corpo espiritual pode se modelar e representar formas variadas, inclusive uma forma semelhante a de um corpo humano.
              Imagine o perispírito como uma massa vaporosa, de natureza semimaterial, que pode se expandir, como um campo de energia, e que pode se concentrar e tomar uma forma de um corpo qualquer.
              Sim, mas essa plasticidade toda está relacionada ao nível evolutivo do indivíduo. Quanto mais purificado o Espírito, mais sutil é o seu corpo espiritual. Por outro lado, quando o indivíduo concentra seus pensamentos, sentimentos e desejos longe das coisas elevadas, seu perispírito se conserva denso, pesado, doentio.
              Na condição de encarnados, que agora estamos, nosso perispírito envolve e anima esse nosso corpo orgânico, mantendo uma relação direta entre a nossa consciência e essa matéria. Assim sendo, nosso estado consciencial — de contentamento, felicidade, tristeza, rancor etc. — acaba refletindo em nosso organismo material, do mesmo modo como o as sensações físicas afetam nosso comportamento emocional.
              Portanto, o perispírito é então o veículo do Espírito, a ferramenta com a qual a consciência se manifesta e ainda o corpo que identifica o Espírito. Todo ele é também um órgão sensório, com o qual o sujeito vê, ouve e sente as coisas ao redor. Ou seja, ao invés de ter órgãos localizados, como olhos, ouvidos e língua, o perispírito por completo cumpre essa função.
              Um Espírito mais evoluído tem seu corpo espiritual sutilizado, pode se expandir, ampliar seu raio de sensações e se locomover mais longe e rapidamente cruzando os mundos na imensidão do espaço. Já os Espíritos mais imperfeitos, cheios de sentimentos negativos e ligados a desejos puramente materiais, têm um perispírito materializado, preso ao mundo físico a que se ligou consciencialmente.

              Na próxima aula, vamos falar sobre o processo de reencarnação.
              Por que reencarnamos? Como é a preparação para o nascimento? O que acontece no momento da morte?
              Tudo isso e muito mais, a seguir.