PROGRAMA DA AULA
Essa aula traz um pouco sobre a vida e obra de Allan Kardec, bem como ele realizou suas pesquisas acerca dos fenômenos espirituais naquele século XIX, que resultou na fundação da Doutrina Espírita.
Veremos que a maneira como ele procedeu na codificação do Espiritismo é um
exemplo para todos aqueles que querem se dedicar seriamente à Doutrina Espírita.
BIOGRAFIA
Allan Kardec é um pseudônimo que foi adotado pelo professor Rivail, um francês
de notável intelecto e de grande reconhecimento pelas suas obras pedagógicas.
Hippolyte-Léon Denizard Rivail nasceu em 3 de outubro de 1804, na cidade de Lyon, que já era um grande centro urbano, mas sua família era estabelecida em
Saint-Denis-lès-Bourg, uma pequena comuna, onde fez seus primeiros estudos antes de seguir para Yverdon, na Suíça, e ingressar na famosa Escola de Pestalozzi — instituição modelo de ensino da Europa, onde, dos 10 aos 18 anos de idade, completou seus estudos, formando-se em ciências gerais.
Lá, tornou-se admirável discípulo do seu professor Johann Heinrich Pestalozzi, que é lembrado até hoje como um notável reformador educacional.
Ao retornar à França, atuou no campo da pedagogia: foi professor e logo em seguida
fundou o seu próprio educandário: o Instituto Rivail. Também foi um ativista em prol da reforma do ensino público em seu país, visando uma ampla democratização da educação.
Casou-se com Amélie-Gabrielle Boudet (1795-1883), poeta, artista plástica
e também professora, que se tornaria uma grande colaboradora de seus trabalhos. Ambos de espírito filantrópico, lecionaram para os menos favorecidos cursos gratuitos de letras e ciências gerais.
O professor Rivail publicou diversas obras pedagógicas com métodos inovadores para
ensino e aprendizado — o que lhe rendeu reconhecimento profissional. Era membro de diversas sociedades científicas e foi agraciado com vários prêmios e condecorações por suas contribuições
à Educação. Também trabalhou como tradutor de artigos e livros estrangeiros, além de contador.
Enfim, era um intelectual, filósofo e profundo conhecedor das ciências em geral.
O PSEUDÔNIMO
Desde que passou a publicar obras espíritas, o professor Rivail passou a assinar com um pseudônimo:
Allan Kardec, nome esse que, segundo revelações espirituais, tinha relação com uma de reencarnações recentes do
codificador espírita.
Os instrutores espirituais também revelaram que Kardec havia sido um druida, espécie
de sacerdote e ao mesmo tempo juiz dos Celtas — antigo povo de origem indo-europeia do qual os franceses são oriundos. A cultura celta, aliás, era reencarnacionista e voltada para os valores espirituais,
o que não deixou de ser uma preparação para os conceitos que agora o professor Rivail estava prestes a adotar.
A DESCOBERTA ESPÍRITA
O professor Rivail participou pela primeira vez de uma sessão de mesas girantes já
aos cinquentas anos. Sua maturidade e experiência intelectual lhe privavam de qualquer trivialidade, enquanto o seu espírito curioso e investigador o levou a aceitar o convite de um amigo frequentador daquelas
reuniões.
“Eu estava diante de um fato inexplicado, aparentemente contrário às leis da Natureza e que a minha
razão rejeitava. Ainda não tinha visto e nem observado nada; as experiências, realizadas em presença de pessoas honradas e dignas de fé, confirmavam a minha opinião, quanto à
possibilidade do efeito puramente material; mas, a ideia de uma mesa falante ainda não me entrara na mente.” (...)
“Foi aí que, pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam em condições
tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida. (…) Minhas ideias estavam longe de se convencer, mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa. Eu entrevia, naquelas aparentes futilidades,
no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que decidi estudar a fundo”.
(Obras Póstumas, Allan Kardec — ‘A minha primeira iniciação ao Espiritismo’)
Em face daquela realidade, Kardec estudou os fenômenos criteriosamente e, chegando à
causa daquelas manifestações — os Espíritos — ele iniciou uma extraordinária empreitada na busca de informações sobre a natureza espiritual.
A MISSÃO
Valendo-se da colaboração de médiuns de sua confiança, ele entrevistou
os comunicantes do além sobre os temas mais relevantes para a Humanidade: a essência da nossa existência, o nosso destino pós-morte, as leis morais, os conceitos religiosos etc.
Em apoio a esse valoroso trabalho, um grupo de eminentes entidades espirituais se prontificou a
inspirar Kardec. Enviados em nome do Espírito de Verdade, assinaram as comunicações Espíritos como Platão, Santo Agostinho, Lacordaire, São Luiz, Emmanuel, Erasto, São Vicente
de Paula e muitos outros.
Passados dois anos de trabalhos, o Espírito Verdade revela ao pioneiro pesquisador espírita
que aquela era a grandiosa missão de sua vida, anunciando que a nova doutrina que ali se fundava caracterizava-se como o limiar de uma nova era para a evolução espiritual da Humanidade.
Allan Kardec abraçou a missão e fez do Espiritismo o objetivo principal de seus esforços
até o último dia de sua estadia nessa encarnação.
A CODIFICAÇÃO
Longe de aceitar tudo como verdade absoluta e sagrada, Kardec submeteu todas as comunicações
à lógica e a razão, pesquisou as fontes, comparou as mensagens, remeteu as mesmas questões a diferentes entidades, por via de diferentes médiuns, de modo a poder comparar os argumentos e
fazer as deduções mais acertadas.
Esse a regra — controle universal do ensino dos Espíritos — que ele tomou como
princípio para a validação dos conceitos espíritas, tal como assinalou:
"Só existe uma garantia séria para o ensino dos Espíritos: a concordância que haja entre
as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares."
Revista Espírita, Abril de 1864 - 'Autoridade da Doutrina Espírita'
O resultado de quase três anos de estudos e pesquisas foi transformado em uma obra monumental:
“Da comparação e da fusão de todas as respostas, coordenadas, classificadas e muitas vezes retocadas
no silêncio da meditação, foi que elaborei a primeira edição de O Livro dos Espíritos, entregue à publicidade em 18 de abril
de 1857.”
Obras Póstumas, Allan Kardec — ‘A minha primeira iniciação ao Espiritismo’
Com o sucesso O Livro dos Espíritos e rápida propagação da nova doutrina, o codificador intensifica seus trabalhos cada vez mais. No ano seguinte ao livro
inaugural, ele lançaria a Revista Espírita, um jornal mensal especializado em Espiritismo.
Logo mais, também em 1858, junto a seus primeiros colaboradores, funda a Sociedade Parisiense de Estudos Espírita, a primeira instituição espírita oficialmente regulamentada no mundo, onde se fazia estudos doutrinários
e experimentações mediúnicas.
Mas, a obra só estava começando... Desde então, Kardec não mais parou
de trabalhar em prol da disseminação do Espiritismo, escrevendo, palestrando, viajando e pesquisando mais e mais manifestações, até seu desencarne, aos 65 anos, em 31 de março de 1869,
na capital francesa, em decorrência da ruptura de um aneurisma. E certamente, de onde quer que esteja, ele continua trabalhando em prol desse projeto de espiritualização da Terra.
RECONHECIMENTO
O nome de Allan Kardec ganha respeitabilidade na mesma medida em que a Doutrina se expande e melhor
o conhecemos. Quem o conheceu pessoalmente deu testemunho de suas qualidades. Opositores e antipáticos ele teve e muitos, todavia, pelo ministério que exercia, nada pelo lado pessoal, que era irrepreensível.
A jornalista e tradutora inglesa Anna Blackwell, que conviveu com Kardec e traduziu algumas de suas
obras para o inglês, assim o descreve:
“Enérgico e perseverante, mas de temperamento calmo, cauteloso e não imaginoso até a frieza,
incrédulo por natureza e por educação, pensador seguro e lógico, e eminentemente prático no pensamento e na ação. Era igualmente emancipado do misticismo e do entusiasmo.
“Grave, lento no falar, modesto nas maneiras, embora não lhe faltasse uma certa calma dignidade, resultante
da seriedade e da segurança mental, que eram traços distintos de seu caráter. Nem provocava nem evitava a discussão, mas nunca fazia voluntariamente observações sobre o assunto a que
havia devotado toda a sua vida; recebia com afabilidade os inúmeros visitantes de toda a parte do mundo que vinham conversar com ele a respeito dos pontos de vista nos quais o reconheciam um expoente, respondendo às
perguntas e objeções, explanando as dificuldades, e dando informações a todos os investigadores sérios, com os quais falava com liberdade e animação, de rosto ocasionalmente
iluminado por um sorriso genial e agradável, pois tal fosse a sua habitual seriedade de conduta que nunca se lhe ouvia uma gargalhada”.
(A História do Espiritualismo, Arthur Conan Doyle – Cap. 21)
OBRAS BÁSICAS DA DOUTRINA ESPÍRITA
Assim como toda ciência ou tese filosófica tem os seus fundamentos, os estudos espíritas
têm um ponto de partida; as obras literárias de Allan Kardec constituem assim a base doutrinária do Espiritismo.
O Livro dos Espíritos (1857): tem na sua introdução a formalização
da doutrina, seguido de um compêndio de questões, respostas dos Espíritos e comentários de Allan Kardec sobre os mais importantes temas filosóficos e científicos para a Humanidade,
como: a origem do Universo, Deus, mundo espiritual, reencarnação, as leis morais e o futuro de todos nós.
O Livro dos Médiuns (1861): trata-se de estudo apurado acerca da mediunidade e ao mesmo tempo um
guia de conduta moral sobre o exercício mediúnico.
O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864): traz uma análise da doutrina moral do Evangelho de Jesus,
além de uma coletânea de mensagens espirituais para o encorajamento de nossas virtudes.
O Céu e o Inferno (1865): tratado filosófico a respeito da vida futura, das penas e recompensas
de nossos atos, desmistificando a morte e explicando categoricamente o princípio divino da lei de reencarnação.
A Gênese (1868): descreve o paralelo entre a ciência e a religião na construção
da nossa evolução; analisa a origem do Universo e da Humanidade; as teorias evolucionistas; as leis da Natureza; os milagres de Jesus narrados nos Evangelhos bíblicos; as predições e a constituição
do passado, do presente e do futuro.
O Que é o Espiritismo? (1859): resumo da conceituação e objetivo da doutrina, bem
como uma série de resposta às dúvidas e críticas lançadas à doutrina.
Obras Póstumas (1890), que contém uma coleção de escritos pessoais e textos
inéditos do codificador, publicada pela Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
Revista Espírita, publicada mensalmente e por ele editada de janeiro de 1858 a março de
1869, era o jornal oficial da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e noticiário internacional dos principais eventos relacionados aos fenômenos espirituais e à Doutrina Espírita.
Para fechar essa aula, eis algumas célebres frases kardequianas:
“Os homens semeiam na terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza."
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“Só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade."
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“Possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea.”
*
“Toda a paixão que aproxima o homem da natureza animal, o distancia da natureza espiritual.”
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“O verdadeiro homem de bem é aquele que faz ao outro aquilo que queria que os outros lhe fizessem.”
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"Fora da Caridade, não há salvação."
Na lição seguinte, um assunto que deixa todo curioso: a comunicação
com os mortos.
Isso mesmo! Vamos estudar a mediunidade e quem são os médiuns. Até mais!
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Biografias de Allan Kardec
Para análise:
Quem é o tal Espírito Verdade?
Relação entre Espiritismo e a Bíblia