5ª AULA - MEDIUNIDADE
PROGRAMA DA AULA
Assim como todas as religiões, a Doutrina Espírita é fruto do intercâmbio
entre a espiritualidade e os homens, que chamamos de mediunidade.
Na aula atual, veremos como se dá o contato mediúnico e quem são os médiuns
— os mensageiros do além.
O QUE É MEDIUNIDADE
Muita gente acredita e diz que "quem morreu, morreu, e não volta pra contar!".
Será?
A Doutrina Espírita demonstra — pela observação concreta dos fatos —
que há sim um canal de interação entre o plano espiritual e a nossa dimensão física. Portanto, é da vontade de Deus que haja cooperação mútua entre os seus filhos:
os Espíritos desencarnados e as almas encarnadas. Esse canal de intercâmbio é chamado de mediunidade.
“A mediunidade é aquela luz que seria derramada sobre toda carne e prometida pelo Divino Mestre aos tempos
do Consolador, atualmente em curso na Terra”.
(O Consolador, pelo Espírito Emmanuel, Francisco Cândido Xavier – Questão 382)
O intercâmbio mediúnico é um processo natural; não se trata, portanto,
de um fenômeno sobrenatural, no sentido milagroso, místico e puramente sagrado, como normalmente se pensa. Tudo se processa dentro das leis físicas do Universo, semelhante a qualquer outro fenômeno
natural.
E como tudo que Deus faz é providencial, é claro que a mediunidade tem sua utilidade.
A primeira delas é evidenciar a imortalidade da alma e mostrar que, muito além dos limites da vida material, há uma natureza superior: a natureza espiritual.
Assim como a humanidade desenvolveu, através das gerações, as habilidades da
fala e da escrita, contato mediúnico é um instrumento de aproximação com a espiritualidade que se estende progressivamente a fim de que possamos conhecer cada vez mais os planos divinos e o destino
de nossa alma pós-morte, como o próprio Cristo predisse:
“Muitas coisas ainda tenho a lhes dizer, mas vocês não podem suportar agora. Quando vier o Paráclito
— o Espírito da Verdade — lhes ensinará toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e lhes anunciará as coisas que virão.”
Jesus (João, 16: 12-13)
E assim pensamos que ela estará cada vez mais presente em nosso meio, na medida em que nos
qualificamos para receber as revelações do alto.
“Acontecerá nos últimos dias – é Deus quem fala –, que derramarei do meu Espírito
sobre todo ser vivo: os seus filhos e as suas filhas profetizarão. Os jovens terão visões, e os idosos sonharão”.
Atos dos Apóstolos, 2:17
A mediunidade não é um patrimônio do Espiritismo. Ela existe desde os primórdios
da Humanidade e se manifesta naturalmente sem privilégio de cor, raça, religião, condição social, intelectual ou moral, em acordo com as necessidades e aplicações que a espiritualidade
a emprega para promover a evolução espiritual dos povos.
Exatamente! Não foi o Espiritismo quem criou a interatividade mediúnica, no entanto,
está na Doutrina Espírita o inestimável mérito de melhor sintetizar seu mecanismo e melhor orientar os médiuns e demais envolvidos para uma prática mais segura e produtiva.
Foi a codificação espírita quem elevou a mediunidade ao campo das ciências
naturais e o distinguiu das velhas práticas ocultistas e místicas.
O MECANISMO MEDIÚNICO
De uma maneira geral, o fenômeno mediúnico é uma interferência espiritual
em nosso mundo físico. Essa interferência espiritual se dá basicamente de duas formas:
1) Fenômenos de efeitos físicos: quando os Espíritos agem sobre a matéria de nossa dimensão, por exemplo, movimentando
objetos, materializando formas ectoplasmáticas, manipulando o organismo físico para promover curas, etc.
2) Fenômenos de efeitos inteligentes: quando os Espíritos transmitem informações, através de inspiração
telepática, psicofonia, psicografia, etc.
Como já visto, o mecanismo de ação espiritual nada tem de sobrenatural, mas
está nos recursos regulares da Natureza.
As manifestações de efeitos inteligentes decorrem da sintonia mental entre o médium
e o Espírito comunicante. Para poder captar as vibrações mentais do plano espiritual, o médium entra em um estado alterado de consciência — o transe anímico —, quando então
as entidades do além ficam aptas a imprimir as mensagens no campo mental do médium. Esse transe pode ser induzido voluntariamente pelo médium ou inconscientemente, por força da ação
dos Espíritos comunicantes, do qual o médium pode estar ou não consciente.
Assim como o olho é o veículo da visão, acredita-se que o órgão
da sensibilidade espiritual no médium seja uma glândula que todos nós trazemos bem no centro do nosso cérebro: a glândula pineal, também chamada de epífise. Os cristais de apatita
(que se formam no entorno da pineal) seriam os agentes orgânicos capazes de converter as ondas eletromagnéticas captadas na sintonia espiritual em estímulos neuroquímicos a serem interpretados pelo
cérebro como informações intelectivas, da mesma forma como um aparelho celular capta os sinais digitais e os converte em dados, como texto, imagem, vídeo etc.
No caso dos fenômenos de efeitos físicos, os Espíritos manipulam um campo magnético
formado a partir de uma espécie de fluido formado pelo organismo do médium — que é comumente chamado de ectoplasma. De posse desse material especial, é possível um Espírito agir
sobre todas as substâncias físicas, assim como os físicos e químicos manipulam as substâncias conhecidas.
Através desses dois processos — fenômenos de efeitos físicos e de efeitos
inteligentes — temos então uma grande variedade de tipos de mediunidade, que os Espíritos aplicam conforme as necessidades.
OS MÉDIUNS
Allan Kardec chamou de médium aquele que serve de intermediário entre os Espíritos e os homens
O médium é então uma espécie de mensageiro espiritual, um "carteiro
do além", como dizia Chico Xavier.
"Todo aquele que sente a influência dos Espíritos num grau qualquer é, por esse fato, médium.
Essa capacidade é natural ao homem; portanto, não constitui um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, são raras as pessoas que não possuam alguns rudimentos dela. Então, podemos dizer
que todos são mais ou menos médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos evidentes, de certa intensidade,
o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva. "
O Livro dos Médiuns, Allan Kardec – Cap. XIV, Item 159
A faculdade mediúnica se sujeita a vários fatores, dentre os quais:
A predisposição física, ou seja, a qualidade orgânica da glândula pineal;
A predisposição dos Espíritos para se sintonizar com o médium;
Sobretudo, a permissão divina, tendo em vista a necessidade e utilidade do contato mediúnico.
Nessas circunstâncias, há pessoas que momentaneamente não apresentam as condições
mínimas de sintonizar o plano espiritual. Por outro lado, entre aquelas que têm potencialidades mediúnicas, há diversos níveis de sensibilidade e variadas maneiras dos recursos espirituais
se manifestarem através destes, como nos diz Kardec:
"Além disso, é notável que essa aptidão não se revele em todos da mesma maneira.
Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta ou daquela ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas são as espécies de manifestações.
As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos médiuns sensitivos, ou impressionáveis; a dos audientes; a dos videntes; a dos sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos;
a dos escreventes, ou psicógrafo."
O Livro dos Médiuns, Allan Kardec – Cap. XIV, Item 159
ATIVIDADE MEDIÚNICA
A potencialidade mediúnica é uma oportunidade de serviço em prol do bem-estar
comum e do crescimento pessoal do médium, normalmente prevista no programa reencarnatório. Mas, segundo os Espíritos, ela também pode ser desenvolvida por aqueles que possuem as predisposições
necessárias para a sintonização.
Como tudo o que fazemos, a atividade de mediunidade está sujeita ao livre-arbítrio
e à lei de responsabilidade. O médium tem a liberdade para agir conforme as suas vontades, mas responderá pelas consequências dos atos praticados, e tanto mais será responsável quanto
mais consciência tiver de suas atribuições.
Em virtude de suas qualidades morais, ele poderá atrair bons conselhos da espiritualidade
tanto quanto poderá ser influenciado por Espíritos brincalhões ou maldosos — o que constituir para o médium uma prova de suas capacidades.
Para nós, espíritas, a atividade mediúnica deve ser por vocação,
totalmente desinteressada, e jamais uma profissão, meio de comércio ou de promoção pessoal. Este é um meio seguro de atrair a cooperação de Espíritos mais elevados, afastar
os mal-intencionados e servir à causa da Humanidade.
"Os médiuns atuais — porque também os apóstolos tinham mediunidade — igualmente receberam
de Deus um dom gratuito: o de serem intérpretes dos Espíritos, para instrução dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé, não para lhes vender palavras
que não lhes pertencem, a eles médiuns, visto que não são fruto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais. Deus quer
que a luz chegue a todos; não quer que o mais pobre fique dela privado e possa dizer: não tenho fé, porque não pude pagar por ela; não tive o consolo de receber os encorajamentos e os testemunhos
de afeição dos que pranteio, porque sou pobre. Tal a razão por que a mediunidade não constitui privilégio e se encontra por toda parte. Fazê-la paga seria, pois, desviá-la do
seu providencial objetivo."
O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec – Cap. XXVI, Item 7
É claro que a vaidade, o orgulho e a ganância humana podem se aproveitar da mediunidade
para interesses escusos e qualquer médium pode ser arrastado por essas fascinações. Eis aí complicações possíveis que a mediunidade traz. Em razão disso, pode-se pensar
que a atividade mediúnica é sempre um perigo.
Mas também isso pode ocorrer com todo aquele que tem o dom da oratória e da lábia
maliciosa para usurpar os valores dos seus semelhantes. E não é por isso que as pessoas devam ser desprovidas do dom da fala: o que é preciso é a formação de conduta, para que saibamos
usar todas as nossas capacidades — físicas e psicológicas — para o bem comum.
Outra afirmativa comum que os detratores do Espiritismo costumam afirmar contra a mediunidade é
a de que ela seria uma janela para a loucura — da mesma forma como se diz do excesso de inteligência. Vejamos o que nos diz o Espiritismo:
A mediunidade poderá produzir a loucura?
“Não mais do que qualquer outra coisa, desde que não haja predisposição
para isso, em virtude de fraqueza cerebral. A mediunidade não produzirá a loucura, quando esta já não exista em gérmen; porém, existindo este, o bom-senso diz que se deve usar de cautelas,
sob todos os pontos de vista, porque qualquer abalo pode ser prejudicial”.
(O Livro dos Médiuns, Allan Kardec – Cap. XVIII, Item 221, 5ª pergunta)
A CONTRIBUIÇÃO ESPÍRITA
Como já vimos, durante muito tempo a mediunidade ou foi ridicularizada ou foi objeto de misticismos
e dominações. Os médiuns ou eram considerados loucos, ou eram condenados por satanismo, ou eram promovidos a seres especiais, sem que se compreendesse bem a sua natureza.
Com o advento da Doutrina Espírita, a mediunidade sai do campo do sobrenatural e passa para
um evento natural e compreensível e bem justificado, aproximando os homens da espiritualidade e promovendo assim a nossa evolução, mediante o plano maior da divindade.
Para a orientação da mediunidade e desenvolvimento seguro da prática mediúnica,
Allan Kardec nos deixou uma grande contribuição literária: O Livro dos Médiuns — Guia dos Médiuns e Evocadores.
MEDIUNIDADE E ANIMISMO
É bom saber também que além das manifestações mediúnicas
existem os fenômenos anímicos — quer dizer, fenômenos próprios da alma; no caso, da alma de uma pessoa encarnada.
Chama-se animismo a capacidade de uma alma humana entrar em transe e manifestar alguma faculdade espiritual, típica de um desencarnado. Por exemplo, ter percepções
extraordinárias do mundo dos Espíritos ou de nossa dimensão mesmo. Veja o que uma pessoa em transe anímico pode experimentar...
Experiências anímicas são o que algumas pessoas chamam de "viagens astrais"
ou "desdobramentos espirituais". Kardec chamou o animismo de emancipação da alma, um estado de desprendimento da alma que tem vários níveis, desde o simples sono, passando pelo sonambulismo, dupla vista e o êxtase, que é um estado mais profundo de desprendimento
da alma.
Dessa maneira, em todo o fenômeno mediúnico há animismo, pois o médium
precisa de um certo desprendimento corporal para agir na sua forma espiritual, tal como fosse um Espírito desencarnado. Mas nem todo fenômeno anímico é mediúnico, visto que a alma em desdobramento
é capaz de produzir manifestações por si mesma, enquanto que nas manifestações mediúnicas há necessariamente uma intervenção de um Espírito desencarnado
agindo em conjunto com o médium.
Em complemento a essa aula, a sugestão é pesquisar sobre episódios mediúnicos
importantes para a história humana e sobre a vida e obra de alguns médiuns importantes.
E claro que nessa lista não pode faltar o nosso Chico. Mas além de Francisco Cândido
Xavier, confira outras biografias, por exemplo: a história de Santa Joana d'Arc, Nostradamus, Daniel Dunglas Home, Edgar Cayce e Yvonne Pereira. Veja mais adiante!
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Pesquisa sobre médiuns notáveis:
São Malaquias (1094-1148)
Joana d'Arc (1412-1431)
Nostradamus (1503-1566)
Emanuel Swedenborg (1688-1772)
Daniel Dunglas Home (1833-1886)
Eusápia Palladino (1854-1918)
Elizabeth d'Espérance (1855-1918)
George Vale Owen (1869-1931)
Edgar Cayce (1877-1945)
Yvonne Pereira (1900-1984)
Peixotinho (1905-1966)
Chico Xavier (1910-2002)
José Arigo (1922-1971)