quarta-feira, 14 de novembro de 2018

EBE11

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CURSO:EBE - Estudo Básico de Espiritismo

7. PRÁTICA ESPÍRITA


PROGRAMA DA AULA
              Vimos pelas aulas anteriores como o Espiritismo foi muito bem fundamentado. Agora, veremos como esses fundamentos se desenvolvem nos dias de hoje.
              Noutras palavras, qual o papel dos espíritas e como cada um de nós pode contribuir com a doutrina, em prol do nosso progresso evolutivo.

SUSTENTAÇÃO DOUTRINÁRIA
              Toda teoria, ciência ou doutrina é criada, desenvolvida, disseminada e permanece ativa em função de dois fatores básicos:
Pela validação lógica de seus conceitos, mediante as experimentações empíricas e não refutação. Quer dizer, seus conceitos devem ser verdadeiros e provados;
Pela sua utilidade concreta, porque se a doutrina não útil, não há razão de existir.

              Dessa forma, o Espiritismo igualmente se submete a esses dois fatores e sobre os quais estabelece os fundamentos da prática espírita (substância teórica e serventia para o bem comum).
              Seus postulados estão à prova da lógica filosófica (no tocante aos ensinamentos morais) e das descobertas científicas (no tocante às informações acerca da natureza física) para, mediante as comprovações, oferecerem à Humanidade — como o seu benefício mais elementar — um poderoso auxílio no seu desenvolvimento evolutivo, contribuindo assim com o bem-estar integral dos indivíduos.
              Assim como a invenção da roda abriu caminho para uma série de novas invenções (automóveis, ferramentas, máquinas etc.), bem como a convenção dos números estabeleceu novas aplicações (geometria, economia, arquitetura etc.), a revelação espírita descortinou a vida além-túmulo e seus valores superiores, configurando um padrão de moral que, levado a efeito, propicia aos homens uma elevação espiritual, com reflexos positivos já neste plano carnal.
              Nesse âmbito de atividade espírita, a interação com a espiritualidade — através da mediunidade — se caracteriza como um canal imprescindível para que a espiritualidade continue contribuindo com o Espiritismo e, por conseguinte, com o progresso da Humanidade.
              As benesses oferecidas pela Doutrina Espírita estão na proporção especialmente de como ela é praticada. Dentro desse contexto, convém tratarmos do comportamento do espírita — aquele que professa e pratica a Doutrina dos Espíritos — e do modo mais apropriado para se praticar o Espiritismo.

O PAPEL DO ESPÍRITA
              Sabemos que uma doutrina é desenvolvida pelos seus adeptos. Assim, de forma prática, os espíritas acabam representando — com perfeição ou não — o Espiritismo. E qual é o papel dos espíritas?
              Seguindo os critérios já descritos, o espírita deve:
Estudar: conhecer os conceitos elementares do Espiritismo, a começar pelas ideias originais (especialmente as obras de seu fundador, Allan Kardec), conhecer o contexto histórico (a origem da doutrina e o seu desenvolvimento) e tudo quanto for relevante para fortalecer esse conhecimento, beneficiando-se da contribuição do trabalho de outros estudiosos;
Pesquisar: buscar novos conhecimentos e contribuir com o desenvolvimento da doutrina, tanto no campo da pesquisa teórica, quanto na experiência prática da mediunidade, observando cautelosamente as recomendações doutrinárias para essa via de experimentação;
Aplicar: dar uso do conhecimento adquirido, tendo em vista a nossa evolução espiritual — tanto pessoal quanto coletiva.
              Nessas condições, podemos diferenciar a prática espírita do modo tradicional de seguimentos religiosos clássicos, que, em geral, pregam um catecismo predefinido e cobram fé e obediência aos seus dogmas.
              O seguidor do Espiritismo, por sua vez, tem o caráter de estudioso e pesquisador, não o de um mero crédulo e obediente à doutrina. Portanto, o autêntico espírita é um cientista, filósofo, trabalhador de sua própria evolução e solidário com a Humanidade.
PONTO DE PARTIDA
              Da mesma forma que quem deseja ser médico precisa estudar medicina, o espírita precisa estudar Espiritismo. E, obviamente, na busca do conhecimento espiritual, o ponto de partida mais plausível para nós é a literatura básica da doutrina: as obras publicadas pelo codificador, Allan Kardec — obras essas que também devem ser examinadas racionalmente, e não tomadas prontamente como artigos de fé.
              A primeira e imediata constatação da revelação espírita é a existência do mundo espiritual, o que evidencia que a morte não passa de um fenômeno biológico (falência do corpo físico), enquanto que a consciência — ou seja, a alma, o Espírito, a pessoa em si — sobrevive ao desligamento do corpo humano. Essa evidência refuta a tese do materialismo (ideia de que a vida e toda a composição do Universo são manifestações físico-químicas da matéria).
              Havendo esse outro mundo — o plano espiritual —, que é de natureza superiora, certamente que, para este novo ambiente de vida, há leis especiais que regulam sua organização. E como há interação entre esse mundo espiritual e a nossa dimensão terrena, interessa-nos conhecer essas leis, estabelecendo assim um padrão de comportamento superior.
              Se a existência carnal é temporária e a passagem para o plano espiritual é inevitável, cabe ao espírita conhecer e considerar as leis espirituais. Logo, guiando-se por esse padrão de comportamento superior, o indivíduo antecipa para si as recompensas da natureza espiritual.

CARÁTER PROGRESSISTA DA DOUTRINA
              Pela complexidade e importância da questão, devemos reconhecer que estamos ainda bastante distantes da totalidade do conhecimento espiritual. Temos muito que aprender e para tanto precisamos da solidariedade dos Espíritos, que gradativamente vão revelando a natureza superiora, de acordo com o avanço de nossas capacidades intelectuais e morais.
              Embora não seja o único segmento dedicado ao intercâmbio com o plano espiritual — que têm se revelado a todos os povos por diversas formas — o meio espírita se oferece como ambiente propício para a interação com a espiritualidade justamente por se fundamentar nesse princípio e em razão de o Espiritismo já ter uma base doutrinária essencial para receber e compreender a contribuição dos instrutores espirituais.
              Portanto, dentro da prática espírita, a busca do conhecimento espiritual consiste no estudo das obras já consagradas e na pesquisa de novos conteúdos, por exemplo, através da mediunidade. Os Espíritos elevados têm interesse e contribuem o quanto podem com a evolução humana. Para tanto, é fundamental que suas ideias encontrem em nós boa receptividade para levar a efeito o progresso do bem comum.

APERFEIÇOAMENTO MORAL
              O conhecimento espiritual resulta numa responsabilidade comportamental, porque toda a lei universal se concentra em torno de fundamentos morais, sendo a lei de amor (a verdadeira caridade) a mais sublime de todas. Portanto, melhorar-se continuamente é uma exigência para a atividade espírita.
              A necessária condição de evoluir não cobra do praticante espírita a pronta perfeição — pois que o processo evolutivo é de longa caminhada —, mas exige sim o comprometimento de cada qual com as virtudes espirituais e o esforço para o constante aperfeiçoamento.
              E qual é o meio mais eficaz para nos aperfeiçoarmos? Na codificação espírita encontramos que o método recomendado parte do conhecido e antigo princípio "Conhece a ti mesmo", pelo qual o indivíduo analisa constantemente seus atos, suas carências e suas potencialidades, para corrigir suas más tendências e se suprir das virtudes que lhe faltam.
              Portanto, devemos nos figurar conforme o padrão espiritual superior, exemplificado pelo mandamento do Cristo: Amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo, fazendo aos outros exatamente aquilo que gostaríamos que os outros nos fizessem.

BENEFÍCIOS PRÁTICOS
              O conhecimento espiritual e a conscientização da responsabilidade moral motivam o espírita a se melhorar e, nesse processo, ele gradualmente ascende a um nível maior de bem-estar, pois passa a compreender a essência da vida, a organização do universo e as circunstâncias de seu estado existencial; sabe o porquê dos sofrimentos terrenos e das compensações que colherá pelos seus esforços em se graduar.
              Essa iluminação produz um deleite mental, um estado superior de felicidade na alma que também se reflete no organismo corporal — pois é consenso científico que a paz da consciência estimula positivamente o equilíbrio físico, bem como o oposto é verdadeiro, quer dizer: qualquer perturbação psicológica acaba danificando o organismo humano.

PRÁTICAS ESPÍRITAS
              Todavia, desde o lançamento do Espiritismo, o modo como a doutrina é interpretada e praticada varia de acordo com as pretensões pessoais dos interessados, bem com as capacidades de assimilação destes, nem sempre condizente com a real proposta espírita.
              Allan Kardec já nos alertava sobre os tipos mais comuns de adeptos ditos "espíritas", quais sejam:
Aqueles que se apegam essencialmente ao lado fenomenal das manifestações espirituais por curiosidade e sensacionalismo;
Aqueles que pouco ou nada se interessam (ou mesmo acreditam) nas manifestações espirituais e se simpatizam com os ensinamentos morais da doutrina;
Aqueles que buscam apenas mais uma alternativa religiosa para cultuar suas crenças;
Aqueles que procuram por uma solução mística e milagrosa para seus problemas;
E finalmente, aqueles que estudam, pesquisam e compreendem racionalmente os conceitos espíritas, procurando utilizá-los no seu aperfeiçoamento intelectual e moral — portanto, os autênticos espíritas.

PROPAGAÇÃO DO ESPIRITISMO
              Os benefícios pessoais que a Doutrina Espírita nos proporciona naturalmente nos motivam a querer compartilhá-los com nossos semelhantes. Mais que isso, a propagação do Espiritismo é também uma missão dos espíritas, como meta para a evolução pessoal e coletiva — já que somos todos interligados uns aos outros dentro do plano evolutivo.
              O princípio básico da propagação é mostrarmos o proveito da doutrina para nosso aprimoramento através do nosso exemplo pessoal, de nossas ações cotidianas, e não pela falácia. Além disso, devemos dirigir nossos esforços aos interessados, respeitando, porém, o livre-arbítrio dos que se conservam no desinteresse.
              Dentre as formas de praticar o Espiritismo está a de compor grupos, onde a força coletiva potencializa as atividades. Os centros espíritas então podem oferecer aos seus participantes grandes oportunidades, como por exemplo:
Estudo e pesquisa;
Intercâmbio mediúnico;
Atendimento espiritual;
Confraternização entre os participantes;
Promoção de artes doutrinárias (música, teatro, pintura etc.);
Articulação de eventos e campanhas de divulgação da doutrina etc.

              Portanto, as casas espíritas podem ser ao mesmo tempo: praça de amigos, escola, laboratório de pesquisa mediúnica, posto de auxílio espiritual e social, oficina de artes, estação de difusão da doutrina, casa de meditação e oração.
              Além das instituições particulares, há as chamadas entidades associativas, entidades regionais que promovem o intercâmbio de experiências e a cooperação de diversos centros espíritas em diversos eventos comuns.
              Convém observarmos que a filiação do espírita a uma instituição bem organizada é uma opção válida, porém não uma condição absoluta para a prática do Espiritismo.
              E ressaltamos ainda que as instituições espíritas são órgãos particulares, independentes, e que nenhuma delas detém a prerrogativa de autoridade e hierarquia sobre a doutrina ou sobre os espíritas.

              Na próxima aula, as consequências da fundação da Doutrina Espírita.
              O que aconteceu com o Espiritismo depois do desencarne de Allan Kardec e o que podemos esperar da doutrina na atualidade e para o futuro.
              Tudo isso e muito mais, a seguir no nosso curso.

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Analise:
As razões comuns para se buscar o Espiritismo.
O movimento espírita atual, especialmente do comprometimento das casas e federações espíritas com a essência da doutrina.
A missão dos espíritas — trabalho individual e institucional.