quarta-feira, 14 de novembro de 2018

EBE04

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ORIGEM DA DOUTRINA ESPÍRITA
              A Doutrina Espírita foi sistematizada pelo francês Allan Kardec em meados do século XIX. E como tudo faz parte de um bom planejamento, aquele tempo e lugar eram apropriados pelo favorecimento das seguintes circunstâncias:
Aquele tempo foi marcado pelo grande avanço do conhecimento humano e a aplicação dos métodos científicos modernos, capazes de dar sustentação a uma pesquisa mais segura sobre os fenômenos espirituais;
A França era o lugar mais propício porque oferecia uma relativa liberdade para estudo e pesquisa dos fenômenos; o governo vigente na época — o imperador Napoleão III — inclusive era simpatizante do Espiritismo e deu certa proteção para o desenvolvimento dos estudos espíritas;
Havia ali a concentração de uma diversidade de ideias progressistas, especialmente em Paris — o centro intelectual do mundo daquela época;
Foi uma época de popularização de manifestações espirituais em todo o globo terreno, especialmente o fenômeno das Mesas Girantes, que despertou na sociedade um maior interesse pelas questões espirituais;
Daí, veio a predisposição de vários estudiosos para examinar aquelas manifestações tão extraordinárias, dentre os quais, destacou-se Allan Kardec, o codificador do Espiritismo.

              De fato, o século XIX foi marcado por uma crescente série de manifestações espirituais em todo o mundo, chamada de Neoespiritualismo, ou Espiritualismo Moderno.
              Ridicularizada pela igreja e mistificada pelo senso comum, aquela extraordinária série de fenômenos despertou o interesse de estudiosos que então se lançaram a desvendar aqueles misteriosos eventos que a ciência não explicava.
              Foi assim que o pedagogo Allan Kardec iniciou seus estudos acerca daquelas manifestações sobrenaturais e, encontrando evidências da existência do mundo espiritual, dos Espíritos e das suas relações com a nossa dimensão física, então deu início à Doutrina Espírita.
              Para levar a efeito as suas pesquisas, Kardec participou de diversas sessões espiritualistas, contando com a colaboração de pessoas dotadas de se comunicar com os Espíritos — pessoas essas que ele chamou de médiuns. Através dessa capacidade de intercâmbio espiritual — ou seja, a mediunidade — o pesquisador recebeu a assistência de um grupo de entidades espirituais que se apresentaram em nome do Espírito Verdade. Esses Espíritos então revelaram os primeiros aspectos da natureza espiritual que assim formariam a base da Doutrina Espírita.
              Terminada a primeira fase de suas pesquisas, Allan Kardec publicou a base doutrinária do Espiritismo na obra O Livro dos Espíritos, lançada em Paris no dia 18 de abril de 1857.

REVELAÇÃO ESPÍRITA
              Vemos assim que um dos fundamentos do Espiritismo é o intercâmbio mediúnico, eis porque traz a definição "Doutrina dos Espíritos".
              As revelações espirituais são imprescindíveis, porque, sem o testemunho dos seres do além, nós nunca poderíamos descobrir os mistérios do pós-morte, uma vez que os instrumentos da ciência comum não ultrapassam os limites da natureza física mais grosseira.
              Mas, só para ressaltar, a praxe espírita estabelece que tudo quanto os Espíritos digam deve ser submetido ao raciocínio lógico, para aceitarmos somente aquilo que estiver em acordo com a razão, evidenciado pela comprovação prática.
              Para o Espiritismo os fenômenos mediúnicos não têm o caráter excepcional; não se trata de milagres ou de mágica, não há nada de "sobrenatural" ou "místico". Eles se manifestam exatamente porque as próprias leis da natureza assim os permitem, como qualquer outro evento natural.
              Assim como a Terra orbita em torno do Sol, assim como os ventos sopram, assim como funcionam as máquinas e nos comunicamos à distância através da internet, da mesma maneira, pelas mesmas leis físicas da Natureza os Espíritos interagem no nosso mundo.
              Tudo faz parte das leis da física universal.