quarta-feira, 14 de novembro de 2018

EBE10

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6. A TERCEIRA REVELAÇÃO

PROGRAMA DA AULA
              Na lição de hoje, as revolucionárias revelações da Doutrina Espírita.
              Veremos por que o Espiritismo é chamado de doutrina consoladora.

A REVELAÇÃO ESPÍRITA
              Fazendo um apanhado de tudo que os Espíritos ensinaram e submetendo essas informações aos princípios filosóficos e científicos, a codificação espírita nos apresenta os seguintes conceitos básicos:

Deus
              Deus é a inteligência suprema do Universo, causa primeira de todas as coisas e criador de todos os seres. A evidência de sua existência está no conceito lógico que diz que todo efeito tem uma causa e que nada pode ser obra do acaso. Se o Universo existe, foi criado. Deus é essa causa elementar de tudo.
              Sua natureza é inalcançável para nós, que ainda estamos no processo evolutivo, e que não dispomos de recursos para tal. Mas ele se revela na medida em que avançamos em nosso progresso espiritual.
              Embora não possamos defini-lo, podemos lhe atribuir certas qualidades. Assim, o Espiritismo diz que Deus é:
Eterno, que não teve princípio e nem terá fim;
Imutável, porque é perfeito e dispensa mudança;
Imaterial, pois não se sujeita à matéria;
Único, mantendo assim a exclusiva soberania;
Onipotente, repleto de saber e do poder;
Soberanamente justo e bom, pois é perfeito em si e em tudo o que faz.

A criação
              O Universo é a manifestação do amor, sabedoria e soberania de Deus, que o mantém em expansão para a evolução da criação, obedecendo às leis naturais que regem a ordem universal.
              A criação consiste dos elementos materiais — como os incontáveis planetas — e dos seres vivos — como todos nós.

Os Espíritos
              Todos nós somos Espíritos — os seres inteligentes da criação e filhos de Deus.
              Não temos ciência de quando fomos gerados, mas entendemos que fomos todos criados para a imortalidade.
              Fomos criados igualmente em simplicidade e inocência, como crianças, todos com o propósito de crescer em sabedoria e virtudes e cada qual com todas as capacidades para evoluir e chegar à perfeição intelectual e moral.

Corpo espiritual
              Nós somos Espíritos momentaneamente encarnados. A morte é o fim desse corpo físico; a nossa alma sobrevive à morte e volta ao plano espiritual. O Espírito é a consciência em si, ou seja, a própria individualidade, uma pessoa. É descrita simbolicamente como uma centelha mais ou menos luminosa, conforme nossa evolução.
              O Espírito é envolvido por um corpo espiritual, que Allan Kardec intitulou de perispírito. É esse corpo espiritual que liga o Espírito ao corpo humano, quando estamos encarnados, e que produz os efeitos físicos, por exemplo, quando o Espírito desencarnado se torna visível, através do fenômeno da materialização.
              O perispírito é leve, ágil e luminoso, quando o Espírito é evoluído. Porém, quando o Espírito se conserva preso a pensamentos e sentimentos negativos, seu perispírito fica denso, pesado, enfermiço e maculado de energias densas.

Reencarnação
              A fim de evoluirmos, nós passamos por diversos estágios — seja no plano espiritual, seja no plano dos encarnados, neste ou em qualquer dos incontáveis planetas que volitam no espaço infinito.
              A reencarnação é uma benção divina que nos possibilita os aprendizados necessários para buscarmos o conhecimento intelectual e o desenvolvimento das virtudes.

Livre-arbítrio e responsabilidade
              Toda ação promove uma reação e todo efeito tem uma causa. Assim, tudo se encadeia no Universo. De maneira semelhante, nossas ações estão sujeitas à lei de responsabilidade, em acordo com nosso livre-arbítrio e consciência dos atos que praticamos.
              À medida que o Espírito se desenvolve e adquire discernimento, ele tem mais liberdade de agir em seu meio e se torna cada vez mais responsável por seus atos, sendo então passível do que normalmente se diz por recompensas e expiações, de acordo com a qualidade de seu procedimento.
              Para nos proporcionar o desenvolvimento do livre-arbítrio e da consequente responsabilidade, Deus instituiu a vida social e a liberdade de ação, tanto no plano espiritual quanto nas sucessivas reencarnações. Então, é através da convivência mútua que aprendemos e exercemos nossas aptidões.
              Enquanto no seu aprendizado evolutivo, naturalmente o Espírito está sujeito a erros, porque ainda é imperfeito; e toda ação imperfeita requer o seu refazimento, até que o indivíduo adquira a perfeição dos atos. A reincidência desses atos imperfeitos, a necessidade de refazê-los e a constatação dos efeitos de suas falhas consistem na própria expiação. E quando essa ação é danosa a outro alguém, o infrator ainda fica sujeito à reparação — também como instrumento de reaprendizado.
              Assim, o mal está na persistência da imperfeição, enquanto que o bem e a felicidade consistem na satisfação progressiva do nosso próprio aperfeiçoamento. Dessa forma, cada qual é quem estipula para si mesmo a sua própria sorte. Cada qual é o juiz de seus próprios atos.

Evolução espiritual
              Tudo no Universo evolui rumo à perfeição relativa, sendo que a absoluta perfeição é atributo exclusivo de Deus.
              Progredimos em inteligência e virtudes mediante os esforços que empregamos para tais fins. Assim, há Espíritos mais adiantados e outros menos evoluídos — seja pela diferença das experiências adquiridas ao logo dos tempos, seja pelo maior esforço que uns empregam em relação aos outros.
              A felicidade é proporcional ao nível evolutivo de cada um. Quanto mais esforços o Espírito emprega para seu crescimento espiritual, mais rapidamente ele se qualifica e maiores são as suas realizações. Do contrário, quanto mais apego às paixões inferiores, maiores os tormentos.
              O grau evolutivo estabelece a hierarquia espiritual: quanto mais evoluído o indivíduo, maior sua liberdade de ação e maior a sua autoridade e influência sobre os que lhe são inferiores.

Mediunidade
               A mediunidade é um canal de interação entre os filhos de Deus: os Espíritos desencarnados e as almas encarnadas. Através dela é que Deus permite que a natureza espiritual seja revelada gradativamente aos homens, na medida em que eles se qualificam para compreender os desígnios divinos.
              É também um mecanismo de reaproximação de Espíritos familiares e aqueles que se ligam pelo afeto de um para com o outro. Da forma semelhante, possibilita que Espíritos mais elevados venham inspirar os homens para os projetos em prol da evolução da humanidade.

Código moral
              Segundo os princípios universais, que são as leis de Deus, o Espiritismo nos apresenta um código de conduta cuja moral está sintetizada no mandamento de Cristo: "Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo, fazendo com os outros aquilo que gostaríamos que eles nos fizessem".
              Para o Espiritismo, a caridade — quer dizer, o amor posto em prática — é a medida de todas as coisas. Por isso Kardec repetia: Fora da caridade não há salvação.

Jesus
              O testemunho dos Espíritos é o de que Jesus é o guia e modelo para humanidade; o ser mais perfeito que a Terra conhece. Por isso, como já vimos, o código moral do Espiritismo é o mandamento do Cristo: "Amar primeiro a Deus e amar ao próximo como a si mesmo".
              Mas, assim como cada um de nós, ele é um dos filhos de Deus e nosso irmão, criado pelos mesmos princípios com que todos os Espíritos são gerados. Sua conduta superior se deve ao progresso evolutivo por ele conquistado, e a qual todos nós podemos alcançar por nossos esforços.

Religiosidade
              O Espiritismo não é uma religião constituída como as religiões tradicionais, pois não tem qualquer tipo de sacramento, liturgia ou hierarquia sacerdotal. Mas tem sim a sua religiosidade. Para nós a verdadeira religião consiste em nos sintonizarmos com os pensamentos positivos e praticarmos a lei da caridade.
              A oração íntima, consciente, espontânea e sincera é o meio mais direto e eficaz de nos aproximarmos a Deus e à espiritualidade superiora. A prece verdadeira nos torna melhores porque nos incentiva às virtudes, nos fortalece contra as influências negativas e atrai a cooperação dos bons Espíritos, que nos influenciam ao bem.

ILUMINAÇÃO E CONSOLO
              Como já vimos, os conceitos espíritas não são dogmas impostos pelos Espíritos, mas sim frutos da análise racional das comunicações espirituais e a observação experimental, seguindo os critérios da ciência e da filosofia.
              Concluímos assim que a nossa doutrina não se baseia em artigos sagrados e mera crença, mas sim no conhecimento e dedução lógica, com o que podemos sustentar uma fé consistente na lógica.
              Por essa razão, estamos seguros de que o Espiritismo nos aponta as melhores respostas para as questões essenciais de nossa vida, por exemplo, de onde viemos, quem somos e para onde vamos.
              Essa iluminação nos proporciona então um consolo, pois assim nos elucida a razão de todo os problemas, que o mundo não está desgovernado, e nos fortalece para passarmos positivamente por todas as provas da vida, absolutamente certos de um futuro feliz.
              O Espiritismo nos mostra quão sábio e bom é o plano divino para todos nós e o quanto é válido para nós nos aprofundarmos nessa doutrina de luz. A propósito disso, na próxima aula, vamos abordar o tema prática espírita, compreendendo o que devemos fazer para sermos bons espíritas. Até lá!