8. Repercussão e expansão do Espiritismo
PROGRAMA DA AULA
A aula atual trata da repercussão do Espiritismo e a expansão da nova doutrina.
O que aconteceu após o desencarne de Allan Kardec e as expectativas da atualidade para o futuro
da Humanidade em relação às revelações espirituais.
O LEGADO DE KARDEC
Após codificar a Doutrina Espírita em seus livros e na Revista Espírita, Allan Kardec deixou para a Humanidade os fundamentos da nova era anunciada pelos Espíritos amigos que lhe auxiliaram na codificação.
Após sua desencarnação, sua esposa Amélie-Gabrielle Boudet e seus confrades
esforçaram-se para dar continuidade à obra kardequiana, dentre eles, o astrônomo Camille Flammarion (1842-1925), o filósofo León Denis (1846-1927), a tradutora Anna Blackwell e o engenheiro
Gabriel Delanne (1857-1926).
Mas nem tudo são flores: em várias partes do mundo, os espíritas são
perseguidos e caluniados, especialmente pela igreja, com o aval das autoridades civis. O charlatanismo e os escândalos dos flagrantes de misticismo, bombardeados pela imprensa sensacionalista, denigrem a reputação
da mediunidade e espalham terror contra os médiuns.
Além disso, algumas dissidências do meio espírita criaram cisões que também
enfraqueceram o movimento, especialmente pela introdução de conceitos místicos e apelações religiosistas.
Ainda assim, com sua sólida base doutrinária semeada pelo mundo, o Espiritismo acabou
despertando o interesse da classe científica. Começaria então a fase da averiguação acadêmica sobre os fenômenos espirituais.
CROOKES E A ACADEMIA REAL DE CIÊNCIAS
Diante do balburdio que os fenômenos espirituais causaram no século XIX, as autoridades
se viram obrigadas a dar uma posição oficial sobre as manifestações. Nessa época, academias e cientistas trataram de investigar aqueles eventos ditos sobrenaturais e, por fim, penalizar os
charlatões.
Na Itália, o médico e criminalista Cesare Lombroso tomou a ponta de uma investigação
sobre a mediunidade, que ele preventivamente repudiava, por considerar uma falcatrua de embusteiros e ilusionistas. Porém, examinando os fenômenos, especialmente os de Eusápia Palladino, ele retratou-se
e se proclamou espírita.
Na Rússia, foi o próprio conselheiro do czar quem encabeçou as pesquisas científicas
acerca dos fenômenos. Alexandre Aksakof também não teve dúvidas em afirmar a veracidade das manifestações espirituais.
Na França, o fisiologista e prêmio Nobel de medicina Charles Richet comprova os fenômenos
extrassensoriais e lança a sua tese Metapsíquica.
Porém a mais aguardada conclusão era a da Real Sociedade de Londres — a respeitável
academia de ciências inglesa, outrora presidida por Isaac Newton. À frente daquela comissão, o cientista de maior reconhecimento internacional do momento: William Crooks, químico e físico,
condecorado Cavaleiro Real.
A exemplo de quase todos os seus colegas, Crooks começou negando a realidade espiritual e
pretendia desmistificar os fenômenos desmascarando os médiuns. Contudo, ao apresentar seu relatório final à sociedade científica, ele foi enfático em confirmar a natureza espiritual.
Aquela conclusão escandalizou a Real Sociedade de ciências, que por sua vez optou por
arquivar o caso oficialmente, negando àquele assunto o atributo científico. Crooks foi criticado e até acusado de envolvimento pessoal com uma médium, como pretexto para sua declaração
favorável à espiritualidade. Ele, entretanto, atestou sua posição até os últimos instantes de sua vida:
“Nunca tive jamais qualquer ocasião para modificar minhas ideias a respeito. Estou perfeitamente satisfeito
com o que eu disse nos primeiros dias. É absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecida entre este mundo e o outro".
William Crooks (Encyclopaedia of Psychic Science, N. Fodor - U.S.A.: University Books, 1974).
Em oposição a esta negação, renomados cientistas internacionais fundaram a Sociedade de Pesquisas Psíquicas, também sediada em Londres, com a participação
de outros renomados homens das ciências. Veja alguns deles:
William Crooks, William James, Oliver Lodge, Camille Flammarion, Charles Richet e Henri Bergson...
A CRISE ESPIRITUALISTA DO SÉCULO XX
A vaidade intelectual, o ceticismo e o temor de que as ciências convencionais perdessem espaço
para uma exploração espiritualista foram as causas mais prováveis que fizeram com que as academias regulares se negassem a caminhar lado a lado com a espiritualidade no século seguinte a Kardec.
Além disso, em contrapartida às teses espiritualistas, a Psicanálise de Sigmund
Freud ganhava adeptos rapidamente e a sua teoria do subconsciente se apresentava como a chave para responder as misteriosas ideias que os médiuns diziam receber dos Espíritos.
Por fim, o século XX seria marcado por duas grandes tragédias, que acabariam por decretar
uma quase total desesperança na Humanidade: a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Em razão disso, a Europa arrasada, e tomada pelo temor de uma corrida armamentista, praticamente se esqueceu do Espiritismo.
A PÁTRIA DO EVANGELHO
É, mas aqui no Brasil, longe dos grandes conflitos bélicos, a doutrina kardecista floresceu
substancialmente, o que, segundo indicativos espirituais, obedece aos planos estabelecidos pela espiritualidade.
Jesus transplantou da Palestina para a região do Cruzeiro a árvore magnânima do seu Evangelho, a fim
de que os seus rebentos delicados florescessem de novo, frutificando em obras de amor para todas as criaturas.
(...) Nessa abençoada tarefa de espiritualização, o Brasil caminha na vanguarda. O material a empregar
nesse serviço não vem das fontes de produção originariamente terrena e sim do plano invisível, onde se elaboram todos os ascendentes construtores da Pátria do Evangelho.
BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO, PÁTRIA DO EVANGELHO, Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito de Humberto de Campos – “Esclarecendo”
Pela campanha de solidificação da Doutrina Espírita em terras brasileiras, destacamos
o pioneirismo de memoráveis personagens tais como: Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias, Augusto Elias da Silva, Francisco Ewerton Quadros, Bezerra de Menezes e muitos. Conheça um pouco
sobre eles...
A criação da FEB - Federação Espírita Brasileira - em 2 de janeiro
de 1884, foi uma iniciativa para organizar o movimento espírita brasileiro e articular campanhas de divulgação e expansão da doutrina.
Não tardou para outros notáveis ativistas espíritas surgirem no cenário
nacional contribuindo para a expansão do Espiritismo no Brasil, com repercussão no mundo inteiro, dentre os quais: Eurípedes Barsanulfo, Anália Franco, Cairbar Schutel, Edgard Armond, Carlos Torres
Pastorino, José Herculano Pires, dentre muitos outros. Vale a pena conhecer o trabalho deles.
Dentro da contribuição mediúnica, invocamos os nomes de Francisco Peixoto Lins,
o Peixotinho (1905-1966), Yvonne do Amaral Pereira (1900-1984), Waldo Vieira (1932-2015), Divaldo Pereira Franco (1927-x) e, obviamente, Francisco Cândido Xavier (1910-2002), o grande médium espírita do
século XX.
A OBRA DE CHICO XAVIER
Além do exemplo pessoal de afeto para com todos e das suas obras sociais, Chico Xavier será
sempre lembrado como um autêntico discípulo de Allan Kardec e uma imensurável contribuição para o avanço da doutrina.
Através de sua extraordinária mediunidade, Chico psicografou mais de quatrocentos livros,
de variados gêneros e assinados por diversos Espíritos, muitos dos quais, são de grandes pensadores que se consagraram na literatura nacional e internacional.
Dentre esses escritores do além que se utilizaram das mãos de Chico, destacamos o Espírito
André Luiz, autor do clássico Nosso Lar, e Emmanuel, o guia particular do médium e autor de relevantes obras doutrinárias, como A Caminho da Luz, além de exuberantes romances como Há Dois Mil anos, Renúncia e Paulo e Estêvão.
ESPIRITISMO E A REVOLUÇÃO CIENTÍFICA
A espiritualidade trabalha incessantemente pela nossa evolução e não se cansa
de lançar empreendimentos para a conscientização espiritual da humanidade. Em face disso, assistimos a uma verdadeira revolução científica, em que os conceitos da Natureza superiora
estão sendo cada vez mais considerados e examinados pelas academias.
Paralelamente aos esforços do movimento espírita para promover as leis espirituais,
a ciência vai pouco a pouco se debruçando cada vez mais sobre uma grande variedade de fenômenos anímicos e mediúnicos, convergindo para as revelações espíritas. É
assim que se tem considerado e estudado manifestações extraordinárias como as experiências de quase-morte e os casos de reminiscências de vidas passadas — especialmente com crianças.
A aproximação entre a ciência e a espiritualidade é uma fatalidade natural
prevista na lei de evolução e marca do progresso da Humanidade, como já disse Allan Kardec:
"O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha na
impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação. O estudo das leis da matéria tinha que
preceder o da espiritualidade, porque a matéria é que primeiro fere os sentidos. Se o Espiritismo tivesse vindo antes das descobertas científicas, teria abortado, como tudo quanto surge antes do tempo”.
A GÊNESE, Allan Kardec – Cap. I, Item 16
E como disse Jesus: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", as verdades
universais vão se revelando à humanidade de maneira que possamos trocar o "eu creio", pelo "eu sei".
Na próxima: Deus e o Universo.