quarta-feira, 14 de novembro de 2018
EBE17
CURSO:EBE - Estudo Básico de Espiritismo
Apresentação
1. Conceituação
2. Características da Doutrina Espírita
3. Origem do Espiritismo
4. Allan Kardec e a codificação espírita
5. Mediunidade
6. A Terceira Revelação
7. Prática espírita
8. Repercussão e expansão do Espiritismo
9. Deus e o Universo
10. Pluralidade dos mundos habitados
11. Vida espiritual
12. Os Espíritos
13. O processo de reencarnação
14. Filosofia moral espírita
15. Aperfeiçoamento espiritual
EBE16
12. OS ESPÍRITOS
PROGRAMA DA AULA
Esta aula aborda a origem, natureza e destino dos Espíritos — os seres inteligentes
da criação.
Vamos saber também sobre a veracidade ou não da teoria dos anjos e demônios.
E mais: a forma espiritual e o perispírito — o corpo semimaterial que envolve o Espírito.
OS SERES INTELIGENTES DA CRIAÇÃO
Além do elemento matéria que dá forma física aos mundos, Deus —
o ser supremo do Universo — criou os seres inteligentes, ou seja, nós, seus filhos, que convencionamos chamar de Espíritos.
De fato, qual é a nossa origem? Assim perguntou Allan Kardec e assim lhe responderam:
Os Espíritos tiveram princípio, ou, como Deus, existem desde toda a eternidade?
“Se não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, quando ao invés, são criação
Sua e se acham submetidos à Sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, é incontestável, porém, quanto ao modo como nos criou e em que momento, nada sabemos. Podem dizer que não tivemos
princípio, se quiserem com isso significar que, sendo eterno, Deus há de ter sempre criado ininterruptamente. Mas, quando e como cada um de nós foi feito, repito, ninguém sabe: aí é
que está o mistério”.
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec – Questão 78
Portanto, ainda não podemos compreender muito bem a nossa origem, nem a idade espiritual de
cada um de nós. Mas fica evidente que a nossa identidade e forma primordial é do mundo espiritual, sendo que quem somos aqui na Terra é apenas uma condição temporária. Morrendo a forma
humana, a alma volta para a sua verdadeira identidade espiritual.
FRATERNIDADE ESPIRITUAL
A Doutrina Espírita nos diz que Deus cria os Espíritos nas mesmas condições.
Quer dizer que todos os indivíduos pertencem a uma mesma classe, sem privilégio para nenhum indivíduo.
Noutras palavras, eu, você, Jesus, Maria, José e todas as pessoas somos filhos de Deus
e, para Ele, cada um de nós tem o mesmo valor.
Fomos todos criados com total inocência, mas com todas as capacidades para desenvolvermos todas
as virtudes e conhecimentos, o que se dá ao longo do aprendizado adquirido com as nossas vivências.
Isso significa que, ao nos criar, Deus colocou em cada um de nós, na mesma quantidade, todas
as capacidades intelectuais e morais, além de nos proporcionar a vida, em seus diversos estágios — no mundo espiritual ou nas dimensões reencarnatórias —, a fim de que possamos evoluir,
cabendo a cada qual se esforçar para adiantar o seu aprendizado.
O fato de existir Espíritos mais elevados — em virtudes e em sabedoria — está
na razão de que estes já tiveram muito mais vivências do que os outros ou que tenham se esforçado muito mais para adiantarem sua evolução espiritual.
A inteligência, os talentos artísticos, o caráter e todos os atributos que algumas
pessoas trazem consigo são aquisições pessoais que elas conquistaram; não são privilégios concedidos por Deus, porque isso seria uma injustiça.
Isso quer significa que todos nós temos as mesmas potencialidades e que podemos — e
vamos — alcançar a mesma elevação dos Espíritos superiores. E isto se dará tanto mais rápido quanto nos esforçarmos para adquirir os valores espirituais.
ANJOS E DEMÔNIOS
Existem muitas crenças acerca da existência de outras categorias de seres inteligentes.
O Catolicismo, por exemplo, prega que antes do nascimento da Humanidade, Deus teria criado os seres angelicais. Segundo essa doutrina, os anjos formam uma categoria especial, criados já adultos e perfeitos, para servirem
ao Criador. Portanto, os anjos seriam de uma natureza diferente e superiora à nossa.
O curioso desse sistema é que desses seres "perfeitos" alguns se rebelaram contra
o Pai celestial e teriam sido transformados em demônios — originando assim uma nova categoria de seres. Essa doutrina então sustenta que anjos e demônios travam uma guerra espiritual do bem contra
o mal, cada qual querendo arrastar a humanidade para o seu lado.
O Espiritismo vê nessa teoria apenas uma metáfora da nossa própria batalha consciencial,
em que somos convidados à elevação espiritual ao mesmo tempo em que somos tentados aos prazeres da vida material. Dessa maneira, não há lógica em supormos que Deus possa ter criados
seres privilegiados com aquela suposta perfeição — aliás, uma perfeição muito imperfeita, já que anjos pudessem ser rebaixados a demônios.
No sentido figura, podemos dizer mesmo que há Espíritos que são como anjos para
nós, uma vez que se esforçam em nos ajudar no nosso curso evolutivo. Por outro lado, há Espíritos ainda tão imperfeitos, que perseguem e atentam contra outros que, por metáfora, bem
poderiam ser chamados de demônios.
Com efeito, a nossa doutrina nos assinala que a espiritualidade sempre nos reserva um amigo protetor
invisível — que normalmente chamam de anjo da guarda.
Quaisquer que sejam a inferioridade e perversidade dos Espíritos, Deus jamais os abandona. Todos têm seu anjo
de guarda (guia) que por eles vela, na persuasão de suscitar-lhes bons pensamentos, desejos de progredir e, bem assim, de pastorear-lhes os movimentos da alma, com o que se esforçam por reparar em uma nova existência
o mal que praticaram. Contudo, essa interferência do guia faz-se quase sempre ocultamente e de modo a não haver pressão, pois que o Espírito deve progredir por impulso da própria vontade,
nunca por qualquer sujeição.
O Céu e o Inferno, Allan Kardec – Parte Primeira, Cap. VII “Código penal da vida futura”
Nesse sentido simbólico, já aqui na Terra, cada um de nós pode ser um anjo ou
um demônio em relação às pessoas que nos cercam.
FORMA ESPIRITUAL
Nas pinturas clássicas, os anjos são retratados normalmente como jovens robustos, bonitos,
com asas e algumas vezes armados de espadas. Nem precisamos comentar sobre como os demônios são pintados. Daí, será natural que se pergunte: os Espíritos têm forma física? Eles
têm mãos, olhos, cabelos etc.? Ou será que eles são imateriais? Veja o que os guias de Kardec lhe disseram:
“Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente?
Por acaso, um cego de nascença pode definir a luz? Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois devem compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada,
mas sem semelhança com o que vocês conhecem, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos seus sentidos.”
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec – Questão 82
Para não deixar a resposta muito vaga, os mentores da codificação espírita
compararam a forma do Espírito com uma chama avermelhada, mais ou menos luminosa, conforme sua elevação espiritual.
O PERISPÍRITO
Você pode estar se perguntando também: se os Espíritos são como um facho
de luz, por que os médiuns algumas vezes dizem ver os desencarnados com braços, mãos, ou seja, com um corpo semelhante a de um ser humano encarnado?
A resposta está no perispírito. Allan Kardec deu o nome de perispírito ao corpo espiritual que envolve o Espírito. Então, esse corpo espiritual pode se modelar e representar formas variadas, inclusive uma forma
semelhante a de um corpo humano.
Imagine o perispírito como uma massa vaporosa, de natureza semimaterial, que pode se expandir,
como um campo de energia, e que pode se concentrar e tomar uma forma de um corpo qualquer.
Sim, mas essa plasticidade toda está relacionada ao nível evolutivo do indivíduo.
Quanto mais purificado o Espírito, mais sutil é o seu corpo espiritual. Por outro lado, quando o indivíduo concentra seus pensamentos, sentimentos e desejos longe das coisas elevadas, seu perispírito
se conserva denso, pesado, doentio.
Na condição de encarnados, que agora estamos, nosso perispírito envolve e anima
esse nosso corpo orgânico, mantendo uma relação direta entre a nossa consciência e essa matéria. Assim sendo, nosso estado consciencial — de contentamento, felicidade, tristeza, rancor
etc. — acaba refletindo em nosso organismo material, do mesmo modo como o as sensações físicas afetam nosso comportamento emocional.
Portanto, o perispírito é então o veículo do Espírito, a ferramenta
com a qual a consciência se manifesta e ainda o corpo que identifica o Espírito. Todo ele é também um órgão sensório, com o qual o sujeito vê, ouve e sente as coisas ao
redor. Ou seja, ao invés de ter órgãos localizados, como olhos, ouvidos e língua, o perispírito por completo cumpre essa função.
Um Espírito mais evoluído tem seu corpo espiritual sutilizado, pode se expandir, ampliar
seu raio de sensações e se locomover mais longe e rapidamente cruzando os mundos na imensidão do espaço. Já os Espíritos mais imperfeitos, cheios de sentimentos negativos e ligados
a desejos puramente materiais, têm um perispírito materializado, preso ao mundo físico a que se ligou consciencialmente.
Na próxima aula, vamos falar sobre o processo de reencarnação.
Por que reencarnamos? Como é a preparação para o nascimento? O que acontece
no momento da morte?
Tudo isso e muito mais, a seguir.
EBE15
11. VIDA ESPIRITUAL
PROGRAMA DA AULA
Falaremos nessa aula das teorias espiritualistas e materialistas, a revelação espírita
da sobrevivência da alma e as evidências que a ciência atual está colhendo para certificar a vida espiritual.
ESPIRITUALIDADE VERSUS MATERIALISMO
Embora cada pessoa traga consigo uma intuição da vida espiritual, tem muita gente que
vive sob a ilusão da vida carnal, pensando que este plano material seja o verdadeiro e único mundo, vivendo assim em função somente das coisas materiais. Essa é a teoria chamada materialismo.
Essa ideia de que "morreu, acabou!" naturalmente faz seus adeptos quererem o "aqui
e agora", quase sempre numa busca imediatista por uma felicidade e sucesso aqui na Terra, sem preocupações sobre as responsabilidades de seus atos, desde que não escapem da justiça terrena.
Por outro lado, as religiões tradicionais baseiam suas doutrinas em dogmas misteriosos, que
contemplam promessas de um paraíso contemplativo ou ameaçam as consciências com um terrível inferno. O resultado tem sido que tais ditados ou fanatizam seus crentes ou apavora e afasta as pessoas
da fé, seja por temerem as chamas eternas, seja porque o céu prometido pareça inalcançável.
A Doutrina Espírita se põe ao lado da ciência na busca por explicações
lógicas e demonstrações concretas sobre a sobrevivência da alma após a falência do corpo físico. Nesse particular, o Espiritismo nos mostra evidências bem concretas da vida
espiritual, demonstra-nos a grandeza do plano de Deus para todos nós e nos antecipa os valores espirituais para que melhor nos preparemos para a vida futura.
REVOLUÇÃO CIENTÍFICA
Devido principalmente às perseguições da igreja contra os pensadores, na Idade
Média, brotou no meio dos filósofos e cientistas uma instintiva rejeição à ideia da espiritualidade. Ilustres homens da ciência então desenvolveram teses e mais teses defendendo
o materialismo — a ideia de que o Universo se construiu sozinho e a vida, nossa consciência, bem como todas as manifestações inteligentes, são todas produto de reações químico-físicas.
Sim, mas isso foi no tempo em que se pensava haver uma matéria sólida e obediente às
regras daquela física antiga. Hoje, porém, está muito bem demonstrado pela ciência que não há matéria sólida como se pensava, e que todas as formas materiais se compõem
a partir de uma força organizadora. Ou seja, de uma ação inteligente que não se encontra na própria matéria.
EVIDÊNCIAS DA VIDA ESPIRITUAL
Antigamente se pensava que a massa cerebral fosse a responsável pela vida e pelas nossas ações
inteligentes, que a nossa consciência se limitasse ao que o cérebro fosse capaz de produzir. No entanto, há inúmeras demonstrações concretas de manifestação da consciência
fora da atividade cerebral, provando que a vida absolutamente não é produto da massa cerebral.
Essas demonstrações se encontram em registros científicos com as de experiência
de quase-morte. Pacientes sem atividade cerebral — em coma profundo, ou já decretados mortos — retomam a consciência com depoimentos de acontecimentos ocorridos durante o estado em que seu corpo permanecia
inerte. O pioneiro a fazer uma pesquisa acadêmica sobre tais ocorridos foi o médico psiquiatra americano Dr. Raymond Moody, autor do Best-seller Vida Depois da Vida. Atualmente há incontáveis núcleos acadêmicos estudando esses fenômenos.
Ao lado das experiências de quase-morte, os fenômenos de reminiscências espontâneas
de vidas passadas são evidências inequívocas de uma natureza superior. O psiquiatra canadense Dr. Ian Stevenson (1918-2007) estudou criteriosamente milhares de casos em que pessoas — especialmente
crianças — expunham lembranças de outras reencarnações, cujos dados (como nome, endereço e detalhes pessoais) foram confirmados, conforme apuração. Uma dessas histórias
foi ao cinema com o título Minha Vida na Outra Vida.
Outra forma de se colher informações de vidas precedentes é através de
terapias de regressão de memória por hipnose — comumente usadas para o tratamento de traumas, cujas causas não se encontravam na vida presente, demonstrando assim que nossa consciência não
pode estar concentrada no nosso cérebro.
Fora esses fenômenos espontâneos, muitas academias científicas do mundo inteiro
se voltam hoje para estudar e pesquisar as manifestações mediúnicas. Obras como as do médium Chico Xavier são verdadeiros tesouros que deixam claro que a espiritualidade não apenas
é um fato, mas que também está em constante interação como o nosso mundo.
CONSEQUÊNCIAS DA ESPIRITUALIDADE PARA NOSSA VIDA
Mas, apenas saber que existe vida espiritual após a morte do corpo físico não
tem muita validade se não nos atentarmos para as responsabilidades de nossas ações, pois o nosso destino pós desencarne está diretamente ligado ao que fazemos atualmente.
Para o Espiritismo, não basta a certeza da sobrevivência da alma: importa também
conhecer a natureza espiritual, sua organização, seus valores e as relações com esse plano superior com a nossa dimensão. Por isso mesmo que Deus possibilitou a conexão entre os Espíritos
desencarnados e a Humanidade através da mediunidade.
O PLANO ESPIRITUAL
Na Antiguidade, pensava-se que o paraíso prometido para os justos seria uma espécie
de ilha flutuante no espaço, tanto que esse paraíso às vezes é chamado de céu. A Bíblia até narra a estória de um povo que tentou levantar uma construção
que os levasse até esse céu: a estória da Torre de Babel. Por outro lado, diziam que o inferno dos condenados seria uma cratera cheia de fogo, nas profundezas da Terra. E não faltou também
quem empreendesse escavações para achar esse lugar.
No entanto, o plano espiritual não se encontra dentro de nossa dimensão física,
de modo a ser encontrado por nossos instrumentos. Sua estrutura é de uma substância quintessenciada, mais sutil do que a que podemos ver ou tocar. Por assim dizer, nosso universo é que está dentro
do mundo espiritual. Além disso, devemos pensar que o mundo espiritual não é de uma única forma, mas que se constitui de diversos ambientes, mais ou menos como a teoria dos universos paralelos.
As diferentes dimensões espirituais se caracterizam em acordo com o grau evolutivo de seus
habitantes, havendo então moradas de natureza agradável e feliz e moradas de natureza ainda grosseira e de sobrevivência rude.
E como já vimos, só para ressaltar, as muitas moradas na casa do pai — seja nos
diversos ambientes do plano espiritual, seja nos diversos planetas do plano dos encarnados — são as tantas moradas possíveis dos Espíritos, onde eles desenvolvem a consciência, suas capacidades
intelectuais e morais, além de contribuírem para os desígnios de Deus.
Na sequência do curso, conheceremos mais sobre os habitantes do mundo espiritual: os Espíritos.O nascimento da vida, o corpo espiritual, os estágios evolutivos, quem são os anjos
e os demônios e muito mais. Até lá!
EBE14
10. Pluralidade dos mundos habitados
PROGRAMA DA AULA
As muitas moradas cósmicas, a classificação dos planetas, o destino da terra
e o significado do apocalipse...
Estes são os temas da presente aula que começa agora.
MUITAS MORADAS
Vimos na aula anterior que Deus cria os ambientes físicos para servirem de oficinas de aprendizado e crescimento espiritual para os Espíritos. E para nós, espíritas, não há
dúvidas: para prosseguirmos no nosso aprendizado evolutivo, temos uma infinidade de planetas habitáveis, fazendo jus a uma conhecida menção do Cristo:
"Há muitas moradas na casa do meu pai"
Jesus — João, 14:1
Os planetas são criados para servirem de ambiente apropriado para os aprendizados espirituais
através das reencarnações. Cada mundo tem suas características particulares, exigindo de seus habitantes esforços especiais no sentido de também promover o progresso físico
do lugar.
A Terra é só mais um dos infinitos ambientes por onde os Espíritos trilham
sua marcha evolutiva. Lá fora, na imensidão do Universo, certamente há muitos, incontáveis planetas onde há Espíritos encarnados conforme as condições locais, em corpos
apropriados para seu habitat, da mesma forma como aqui na Terra há diversas espécies de vida com diferentes corpos e em diferentes ambientes de sobrevivência.
Logo, o que chamam de alienígenas, são na verdade Espíritos — como nós
—, irmãos nossos, encarnados em outros planetas. Mas, serão verdadeiras as muitas histórias que dizem por aí sobre discos-voadores e visitas extraterrestres em nosso planeta?
Bem isso é algo a ser confirmado. Certamente há muitas fraudes e ficção
acerca dessas aparições, mas isso não anula o princípio da pluralidade dos mundos habitados. Também devemos supor que seja natural que um dia tenhamos contato com raças interplanetárias.
A lei de evolução nos faz crer nisso perfeitamente.
PROGRESSÃO DOS MUNDOS
Como o Universo está em expansão, os planetas também evoluem. Assim, há
mundos muito evoluídos, enquanto há outros ainda bem primitivos, por estarem em seu estágio inicial.
"Do ensino dado pelos Espíritos, resulta que as condições dos mundos são muito diferentes
umas das outras, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Entre eles há alguns cujos habitantes são ainda inferiores aos da Terra, física e moralmente; outros, da mesma
categoria que o nosso; e outros que lhe são mais ou menos superiores a todos os respeitos. Nos mundos inferiores, a existência é toda material, as paixões reinam soberanas, sendo quase nula
a vida moral. À medida que esta se desenvolve, diminui a influência da matéria, de tal maneira que, nos mundos mais adiantados, a vida é, por assim dizer, toda espiritual."
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec – Cap. III, Item 2
Aliás, segundo a codificação espírita, podemos dividir o progresso dos
mundos em cinco estágios:
Mundos primitivos: seus habitantes se assemelham aos bárbaros, sem muita noção de organização
e justiça; onde a força bruta ainda impera; de natureza rústica, bem como corpos sem beleza física;
Mundo de expiação e de provas: mais evoluído que o anterior, porém, ainda de natureza
grosseira e dura sobrevivência; seus habitantes sofrem as incompatibilidades sociais a fim de repararem débitos de reencarnações passadas e aprenderem a se conviver;
Mundos de regeneração: são intermediários entre a categoria anterior e os mundos felizes,
onde as almas vivem numa atmosfera mais sutil e podem se depurar das imperfeições restantes; seus habitantes não gozam de toda a felicidade, mas não penam pela dureza imposta pela natureza grosseira
dos mundos anteriores;
Mundos ditosos: habitam lá as almas adiantadas, revestidas de corpos sutis e embelezados; não estando
sujeito às vicissitudes da matéria, não sofrem dores físicas nem doenças e a duração das encarnações é maior e a passagem à vida espiritual é
suave;
Mundos celestes ou divinos: são moradas dos Espíritos que alcançaram a perfeição,
onde vivem pacificamente, mas estes não ficam presos à orbita e podem a qualquer momento transitar o Universo.
Como já vimos antes, os ambientes físicos não se constituem por si mesmos,
mas são gerados e mantidos por ação inteligente. Portanto, deduzimos daí que cada orbe é criado e administrado conforme a vontade de Deus por intermédio dos Espíritos eleitos
para a governança local.
Em seu princípio, os mundos têm uma forma material condensada e rude, configurando
condições grosseiras de sobrevivência para seus habitantes. Na medida em que progride, as substâncias desse mundo vão se sutilizando, melhorando assim as condições de vida nele,
até que esse mundo se desmaterialize completamente.
O PLANETA TERRA
De acordo com a codificação espírita, o nosso planeta já ultrapassou
a fase primitiva e atualmente se encontra em transição do segundo para o terceiro estágio: de mundo de expiação e de prova para mundo de regeneração.
Nessa fase de transição planetária, vemos os antigos costumes grosseiros sendo
deixados para trás para dar lugar a novos valores. Os dois níveis se misturam um tanto, porque não há transformações bruscas. Porém, pouco a pouco, de geração
em geração, a Terra vai se desprendendo das formas grosseiras e se sutilizando.
EMIGRAÇÃO PLANETÁRIA
Os Espíritos em fase de evolução reencarnam em um orbe adequado ao seu estágio
evolutivo, porém não ficam presos a um determinado planeta. De acordo com os seus esforços em crescer espiritualmente, os indivíduos podem ser promovidos para reencarnar num planeta mais evoluído,
como também podem ser exilados para outro orbe inferior, caso não acompanhem o progresso local.
"Quando, em um mundo, eles alcançam o grau de adiantamento que esse mundo comporta, passam para outro mais
adiantado, e assim por diante, até que cheguem ao estado de Espíritos puros. São outras tantas estações, em cada uma das quais eles se deparam com elementos de progresso apropriados ao adiantamento
que já conquistaram. Para eles, subirem a um mundo de ordem mais elevada é uma recompensa, como é um castigo o fato de prolongarem a sua permanência em um mundo desgraçado, ou serem relegados
para outro ainda mais infeliz do que aquele a que se veem impedidos de voltar quando se obstinaram no mal."
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec – Cap. III, Item 5
Isso implica que o lugar onde vamos reencarnar fica condicionado ao nosso nível evolutivo.
Disso deduzimos ainda que periodicamente nós somos submetidos a uma espécie de prova moral em relação ao avanço do planeta atual, assim como um aluno escolar, que pode passar de ano e seguir
com a mesma turma, ou ser reprovado, tendo que refazer o ano letivo.
APOCALIPSE
Entendemos que as profecias do Apocalipse sejam exatamente referentes ao fim de um período,
o fechamento de um ciclo de reencarnações na Terra, quando então os Espíritos que aqui reencarnam passam por uma avaliação quanto ao nível evolutivo.
Daí, os indivíduos que se conservam em paixões primitivas e que embaraçam
o progresso terreno deixarão de voltar à vida na Terra, sendo encaminhados para reencarnar em orbes de natureza ainda tão rude quanto a destes a fim de refazer as lições perdidas.
Eis aí o inferno simbolizado na Bíblia. Só não é uma punição
eterna, porque a misericórdia de Deus sempre nos concede chance de regeneração. A punição dura enquanto persistir a imperfeição. Além do mais, esse processo de emigração
tem basicamente uma dupla função: o exilado expia suas faltas ao mesmo tempo em que contribui para o mundo inferior a que foi rebaixado.
"Para que os homens sejam felizes na Terra, é preciso que ela seja habitada somente por Espíritos bons
— encarnados e desencarnados — e que estes se dediquem somente ao bem. Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica dos que a povoam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados
pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, porque senão, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam
obstáculo ao progresso. Irão expiar o endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda atrasadas, equivalentes a mundos daquela ordem, aos quais
levarão os conhecimentos que tenham adquirido, tendo por missão fazê-las avançar. Espíritos melhores irão substituí-los e farão reinar em seu seio a justiça, a
paz e a fraternidade."
A Gênese, Allan Kardec – Cap. XVIII, Item 27
E quanto àquelas catastróficas previsões de fim de mundo? Ouçamos a
espiritualidade:
"A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de se transformar por meio de um cataclismo que aniquile
uma geração subitamente. A atual geração desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas.
"Então, tudo se processará exteriormente como costuma acontecer — com a única, mas capital
diferença de que uma parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí não mais tornará a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal,
que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem."
A Gênese, Allan Kardec – Cap. XVIII, Item 27
Vejam só que grande contribuição a Doutrina Espírita nos dá com
todas as informações! Mais uma vez nos deparamos com o grandioso plano divino para todos nós!
Pois é! E na próxima aula tem mais aprendizado. Aguardamos vocês!
EBE13
9. Deus e o Universo
PROGRAMA DA AULA
A partir desta videoaula nós vamos aprofundar nosso estudo, começando pelo tema Deus
e a sua criação.
E então? Quem, ou, o que é Deus segundo o Espiritismo?
DEUS
Desde os povos mais primitivos, há no homem a intuição de uma força
soberana, reforçada pela observação das coisas mais sublimes do universo, que, obviamente, não poderiam ser criação de nenhum ser humano.
Então surgiu na Antiguidade a ideia de que os fenômenos da natureza — terra,
fogo, água e ar — bem como os astros celestes fossem divindades. Dessa ideia politeísta — quer dizer, de vários deuses — nasceram mitologias e diversificados cultos religiosos.
Alguns pensadores sugeriram a ideia do panteísmo, pela qual não há nenhum deus
individualizado, mas sim uma alma única a formar todo o Universo, como se diz comumente da "mãe natureza", em que cada um de nós seria apenas um pedaço dessa mesma alma.
Por isso, na codificação espírita, Allan Kardec se interessou imediatamente
pelo tema e abriu a dialética de O Livro dos Espíritos já indagando a respeito disso:
O que é Deus?
"Deus é a inteligência suprema, a causa primária de todas as coisas!"
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - Questão 1
Os Espíritos amigos que inspiraram a codificação espírita deram seu
testemunho da existência de Deus, mas acrescentaram que ainda não somos capazes de compreendê-lo, porque nos falta o sentido apropriado para isso — o só que alcançamos gradativamente,
ao passo que evoluímos espiritualmente.
Mas de onde veio Deus? Ele gerou a si próprio? Kardec fustigou mais e mais. Então
os Espíritos acrescentaram a resposta:
“Deus existe; disso vocês não podem duvidar e isso é o essencial. Acreditem, não vão além. Não se percam num labirinto donde não conseguirão
sair. Isso não os tornaria melhores, mas sim um pouco mais orgulhosos, pois que acreditariam saber, quando na realidade nada saberiam. Com efeito, deixem de lado todos esses sistemas; têm coisas bastantes
que os tocam mais de perto, a começar por vocês mesmos. Estudem as suas próprias imperfeições, a fim de se libertarem delas, o que será mais útil do que pretenderem penetrar
no que é impenetrável.”
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - Questão 14
Porém, com seu espírito de ciência, Kardec não se contentou, insistiu
e quis saber mais. Pediu, por exemplo, evidências da existência divina, ao que os Espíritos lhe responderam:
Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?
“Numa verdade que aplicam às suas ciências. Não há efeito sem causa.
Procurem a causa de tudo o que não é obra do homem e a sua razão responderá”.
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - Questão 4
Em suma, a essência divina continua sendo um grande mistério para nós, pois
a compreensão da divindade está muito acima de nossas capacidades atuais. Seria o mesmo que tentar explicar as cores para alguém desprovido da visão.
No entanto, mesmo sem compreendermos a essência de Deus, podemos ver parte de seu esplendor
através de sua obra, como Allan Kardec assim comentou:
A harmonia existente no mecanismo do Universo evidencia combinações e desígnios determinados e, por
isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz.
Um acaso inteligente já não seria acaso.
O Livro dos Espíritos – Comentário de Kardec sobre a questão 8
Além disso, a espiritualidade nos garante que um dia nós estaremos face a face com
Deus:
Será permitido ao homem um dia compreender o mistério da Divindade?
“Quando o espírito não mais tiver obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele verá e compreenderá a Divindade”.
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec – Questão 11
Lembrando que essa também é uma promessa de Jesus, lá no sermão da montanha:
“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão Deus”.
Mateus, 5:8
ATRIBUTOS DE DEUS
Ainda que estejamos muito longe da compreensão acerca da divindade, através da Doutrina
Espírita, nós temos a ideia de alguns atributos aplicáveis a ele, como já vimos em outra lição. Então, Allan Kardec formulou assim: "Deus é eterno, imutável,
imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom".
Deus é eterno! Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também
teria sido criado, por um ser anterior. Mas, é possível que se pergunte: e de onde Deus veio? A resposta é: Deus nunca foi ou nunca será, mas Deus é! Eis, portanto, um dos mistérios
divinos que está acima de nosso entendimento.
Deus é imutável! Não muda jamais. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem
o Universo não teriam nenhuma estabilidade. E ainda: uma mudança concreta estabelece diferença entre duas situações. Se algo melhorou é por que era mais imperfeito. Sendo Deus perfeito,
não requer reparo, ou seja, mudanças.
Deus é imaterial! Isto quer dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro
modo, Ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria. No entanto, isso não implica que seja um nada e que não tenha forma nenhuma. Sua essência
é inalcançável para nós, mas podemos deduzir que não é de natureza material e perecível tal como a conhecemos.
Deus é único! Se houvesse outro, não haveria unidade de ideias, nem unidade de poder na ordenação
do Universo; um teria feito o outro e, com efeito, um seria primogênito e o outro, inevitavelmente, secundário.
Deus é onipotente! Ele é o Todo-poderoso; tudo pode, porque é Único e gerador de tudo
e de todos. Se não dispusesse do soberano poder, obrigatoriamente haveria algo mais poderoso ou tão poderoso quanto Deus; então Ele não teria feito todas as coisas e aquilo que Ele não houvesse
feito seria obra de outro.
Deus é soberanamente justo e bom! A grandeza providencial das leis divinas se revela assim, nas mais pequeninas
coisas, como nas maiores, em que tudo é justo, tudo é inteligente e tudo é bom.
A CRIAÇÃO
Uma vez identificada a existência divina, a codificação espírita passa
a tratar da origem e organização do Universo — que abrange tudo o que existe além de Deus.
Como já vimos, a lógica nos diz que toda obra tem o seu autor. Logo, deduzimos que
Deus é o criador do todo o Universo, pois coisa nenhum pode construir a si mesma.
Dentro dessa obra divina, identificamos dois princípios: o da matéria e o do espírito:
Princípio material, do qual são gerados os elementos físicos, como o ar, a terra, a luz, o
sol, os planetas etc. Matéria é tudo quanto não tem vida consciencial.
Princípio inteligente, do qual se originam os Espíritos, os seres individualizados e inteligentes
da criação, ou seja, cada um de nós.
Quando e como se deu a criação do Universo é objeto de estudo para todos nós.
Contudo, uma coisa é certa: a lei de evolução.
Tudo se desenvolve naturalmente obedecendo a uma ordem cósmica, gradativamente, sem saltos,
sem mágicas, sem milagres, tudo ordenadamente constituído.
MATÉRIA CÓSMICA PRIMITIVA
Os primeiros filósofos gregos se debruçaram na busca da origem do Universo e na definição
do elemento material básico, do qual seriam feitas todas as outras substâncias. Uns supunham ser o ar, outros a água, outros mais disseram ser o fogo. E até pouco tempo atrás, os cientistas
acreditavam que esse elemento original seria o átomo.
Pois é, eles pensavam que o átomo fosse como um minúsculo grão, sólido,
capaz de dar forma a tudo quanto é matéria — como os grãos de areia que dão forma a uma praia. Só que depois eles descobriram que o átomo também não é sólido,
mas que se compõe de micropartículas, também sem solidez. Ou seja, nenhum aparelho da ciência humana jamais alcançou o elemento material primitivo.
Mas ela existe. A codificação espírita chama essa menor partícula material
de matéria cósmica primitiva, que poeticamente é chamada de "o sopro de Deus". No entanto, ela é de uma natureza muito
mais sutil do que os elementos conhecidos por nós.
Importante ressaltar: essa matéria cósmica primitiva dá forma ao ar, ao sol,
planetas e tudo o mais no Universo obedecendo às modificações exercidas por uma ação inteligente. Ou seja, as coisas não se formam por si mesmas; a matéria precisa receber a
influência de um indivíduo — seja diretamente por Deus, seja por seus prepostos.
O UNIVERSO FÍSICO
E Deus criou o espaço físico com um objetivo bem definido: dar condições
para os Espíritos promoverem a sua evolução espiritual. Por essa razão, o Universo está em constante expansão e a criação está em pleno curso, da qual todos nós
somos coautores.
O Universo é como um grande canteiro de obras, onde Deus é engenheiro e nós
somos os operários. Trabalhamos para a expansão ao mesmo tempo em que desenvolvemos nossas capacidades intelectuais e morais. Se Deus tivesse construído o Universo já na forma perfeita e acabada,
não haveria campo de trabalho para nossa evolução.
Mas então você pode perguntar: e por que Deus não nos criou já perfeitos?
A resposta é simples: porque dessa forma não teríamos nenhum mérito e tão pouco o sentimento de plenitude que somente sentem aqueles que conquistam suas capacidades por seus próprios
esforços.
De fato, não faríamos justiça à sabedoria divina. Ao contrário
disso, o Criador concede a vida aos Espíritos na simplicidade e a todos eles, por igual, dá as capacidades e as oportunidades para o progresso. Assim, mediante os nossos esforços, alcançamos o mérito
da evolução e a plenitude da perfeição.
Na próxima aula: vai haver o fim do mundo? O que significa o apocalipse? Existe mesmo vida
extraterrestre?
Tudo isso e muito sobre a pluralidade dos planetas habitados. Até lá!
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