9. Deus e o Universo
PROGRAMA DA AULA
A partir desta videoaula nós vamos aprofundar nosso estudo, começando pelo tema Deus
e a sua criação.
E então? Quem, ou, o que é Deus segundo o Espiritismo?
DEUS
Desde os povos mais primitivos, há no homem a intuição de uma força
soberana, reforçada pela observação das coisas mais sublimes do universo, que, obviamente, não poderiam ser criação de nenhum ser humano.
Então surgiu na Antiguidade a ideia de que os fenômenos da natureza — terra,
fogo, água e ar — bem como os astros celestes fossem divindades. Dessa ideia politeísta — quer dizer, de vários deuses — nasceram mitologias e diversificados cultos religiosos.
Alguns pensadores sugeriram a ideia do panteísmo, pela qual não há nenhum deus
individualizado, mas sim uma alma única a formar todo o Universo, como se diz comumente da "mãe natureza", em que cada um de nós seria apenas um pedaço dessa mesma alma.
Por isso, na codificação espírita, Allan Kardec se interessou imediatamente
pelo tema e abriu a dialética de O Livro dos Espíritos já indagando a respeito disso:
O que é Deus?
"Deus é a inteligência suprema, a causa primária de todas as coisas!"
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - Questão 1
Os Espíritos amigos que inspiraram a codificação espírita deram seu
testemunho da existência de Deus, mas acrescentaram que ainda não somos capazes de compreendê-lo, porque nos falta o sentido apropriado para isso — o só que alcançamos gradativamente,
ao passo que evoluímos espiritualmente.
Mas de onde veio Deus? Ele gerou a si próprio? Kardec fustigou mais e mais. Então
os Espíritos acrescentaram a resposta:
“Deus existe; disso vocês não podem duvidar e isso é o essencial. Acreditem, não vão além. Não se percam num labirinto donde não conseguirão
sair. Isso não os tornaria melhores, mas sim um pouco mais orgulhosos, pois que acreditariam saber, quando na realidade nada saberiam. Com efeito, deixem de lado todos esses sistemas; têm coisas bastantes
que os tocam mais de perto, a começar por vocês mesmos. Estudem as suas próprias imperfeições, a fim de se libertarem delas, o que será mais útil do que pretenderem penetrar
no que é impenetrável.”
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - Questão 14
Porém, com seu espírito de ciência, Kardec não se contentou, insistiu
e quis saber mais. Pediu, por exemplo, evidências da existência divina, ao que os Espíritos lhe responderam:
Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?
“Numa verdade que aplicam às suas ciências. Não há efeito sem causa.
Procurem a causa de tudo o que não é obra do homem e a sua razão responderá”.
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - Questão 4
Em suma, a essência divina continua sendo um grande mistério para nós, pois
a compreensão da divindade está muito acima de nossas capacidades atuais. Seria o mesmo que tentar explicar as cores para alguém desprovido da visão.
No entanto, mesmo sem compreendermos a essência de Deus, podemos ver parte de seu esplendor
através de sua obra, como Allan Kardec assim comentou:
A harmonia existente no mecanismo do Universo evidencia combinações e desígnios determinados e, por
isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz.
Um acaso inteligente já não seria acaso.
O Livro dos Espíritos – Comentário de Kardec sobre a questão 8
Além disso, a espiritualidade nos garante que um dia nós estaremos face a face com
Deus:
Será permitido ao homem um dia compreender o mistério da Divindade?
“Quando o espírito não mais tiver obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele verá e compreenderá a Divindade”.
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec – Questão 11
Lembrando que essa também é uma promessa de Jesus, lá no sermão da montanha:
“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão Deus”.
Mateus, 5:8
ATRIBUTOS DE DEUS
Ainda que estejamos muito longe da compreensão acerca da divindade, através da Doutrina
Espírita, nós temos a ideia de alguns atributos aplicáveis a ele, como já vimos em outra lição. Então, Allan Kardec formulou assim: "Deus é eterno, imutável,
imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom".
Deus é eterno! Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também
teria sido criado, por um ser anterior. Mas, é possível que se pergunte: e de onde Deus veio? A resposta é: Deus nunca foi ou nunca será, mas Deus é! Eis, portanto, um dos mistérios
divinos que está acima de nosso entendimento.
Deus é imutável! Não muda jamais. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem
o Universo não teriam nenhuma estabilidade. E ainda: uma mudança concreta estabelece diferença entre duas situações. Se algo melhorou é por que era mais imperfeito. Sendo Deus perfeito,
não requer reparo, ou seja, mudanças.
Deus é imaterial! Isto quer dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro
modo, Ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria. No entanto, isso não implica que seja um nada e que não tenha forma nenhuma. Sua essência
é inalcançável para nós, mas podemos deduzir que não é de natureza material e perecível tal como a conhecemos.
Deus é único! Se houvesse outro, não haveria unidade de ideias, nem unidade de poder na ordenação
do Universo; um teria feito o outro e, com efeito, um seria primogênito e o outro, inevitavelmente, secundário.
Deus é onipotente! Ele é o Todo-poderoso; tudo pode, porque é Único e gerador de tudo
e de todos. Se não dispusesse do soberano poder, obrigatoriamente haveria algo mais poderoso ou tão poderoso quanto Deus; então Ele não teria feito todas as coisas e aquilo que Ele não houvesse
feito seria obra de outro.
Deus é soberanamente justo e bom! A grandeza providencial das leis divinas se revela assim, nas mais pequeninas
coisas, como nas maiores, em que tudo é justo, tudo é inteligente e tudo é bom.
A CRIAÇÃO
Uma vez identificada a existência divina, a codificação espírita passa
a tratar da origem e organização do Universo — que abrange tudo o que existe além de Deus.
Como já vimos, a lógica nos diz que toda obra tem o seu autor. Logo, deduzimos que
Deus é o criador do todo o Universo, pois coisa nenhum pode construir a si mesma.
Dentro dessa obra divina, identificamos dois princípios: o da matéria e o do espírito:
Princípio material, do qual são gerados os elementos físicos, como o ar, a terra, a luz, o
sol, os planetas etc. Matéria é tudo quanto não tem vida consciencial.
Princípio inteligente, do qual se originam os Espíritos, os seres individualizados e inteligentes
da criação, ou seja, cada um de nós.
Quando e como se deu a criação do Universo é objeto de estudo para todos nós.
Contudo, uma coisa é certa: a lei de evolução.
Tudo se desenvolve naturalmente obedecendo a uma ordem cósmica, gradativamente, sem saltos,
sem mágicas, sem milagres, tudo ordenadamente constituído.
MATÉRIA CÓSMICA PRIMITIVA
Os primeiros filósofos gregos se debruçaram na busca da origem do Universo e na definição
do elemento material básico, do qual seriam feitas todas as outras substâncias. Uns supunham ser o ar, outros a água, outros mais disseram ser o fogo. E até pouco tempo atrás, os cientistas
acreditavam que esse elemento original seria o átomo.
Pois é, eles pensavam que o átomo fosse como um minúsculo grão, sólido,
capaz de dar forma a tudo quanto é matéria — como os grãos de areia que dão forma a uma praia. Só que depois eles descobriram que o átomo também não é sólido,
mas que se compõe de micropartículas, também sem solidez. Ou seja, nenhum aparelho da ciência humana jamais alcançou o elemento material primitivo.
Mas ela existe. A codificação espírita chama essa menor partícula material
de matéria cósmica primitiva, que poeticamente é chamada de "o sopro de Deus". No entanto, ela é de uma natureza muito
mais sutil do que os elementos conhecidos por nós.
Importante ressaltar: essa matéria cósmica primitiva dá forma ao ar, ao sol,
planetas e tudo o mais no Universo obedecendo às modificações exercidas por uma ação inteligente. Ou seja, as coisas não se formam por si mesmas; a matéria precisa receber a
influência de um indivíduo — seja diretamente por Deus, seja por seus prepostos.
O UNIVERSO FÍSICO
E Deus criou o espaço físico com um objetivo bem definido: dar condições
para os Espíritos promoverem a sua evolução espiritual. Por essa razão, o Universo está em constante expansão e a criação está em pleno curso, da qual todos nós
somos coautores.
O Universo é como um grande canteiro de obras, onde Deus é engenheiro e nós
somos os operários. Trabalhamos para a expansão ao mesmo tempo em que desenvolvemos nossas capacidades intelectuais e morais. Se Deus tivesse construído o Universo já na forma perfeita e acabada,
não haveria campo de trabalho para nossa evolução.
Mas então você pode perguntar: e por que Deus não nos criou já perfeitos?
A resposta é simples: porque dessa forma não teríamos nenhum mérito e tão pouco o sentimento de plenitude que somente sentem aqueles que conquistam suas capacidades por seus próprios
esforços.
De fato, não faríamos justiça à sabedoria divina. Ao contrário
disso, o Criador concede a vida aos Espíritos na simplicidade e a todos eles, por igual, dá as capacidades e as oportunidades para o progresso. Assim, mediante os nossos esforços, alcançamos o mérito
da evolução e a plenitude da perfeição.
Na próxima aula: vai haver o fim do mundo? O que significa o apocalipse? Existe mesmo vida
extraterrestre?
Tudo isso e muito sobre a pluralidade dos planetas habitados. Até lá!